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Esporte

m de leitura Atualizado em 15/05/2022, 19:30

Ex-árbitros analisam polêmicas do confronto entre São Paulo e Cuiabá

PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de maio de 2022

BRUNO MADRID
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A vitória de 2 a 1 do São Paulo sobre o Cuiabá, em jogo realizado na tarde deste domingo (15) dentro do Morumbi e válido pelo Campeonato Brasileiro, ficou marcada por duas polêmicas envolvendo a arbitragem de Alexandre Vargas Tavares, que trabalhou no seu 1° duelo da Série A no ano.

Durante o 2° tempo da partida, quando o placar estava em 1 a 0 para o time visitante, André Anderson, meia do time paulista, conduziu a bola dentro da área rival e caiu após um contato do zagueiro Marllon.

O árbitro confirmou o pênalti e não foi chamado pelo VAR para uma possível revisão — Calleri converteu a cobrança e empatou para os paulistas, que viraram minutos depois e saíram com a vitória.

COM A PALAVRA, OS ESPECIALISTAS

Entrevistados pela reportagem, três ex-árbitros discordaram da marcação de Tavares. Para Alfredo Loebeling, Renato Marsiglia e José Aparecido de Oliveira, o choque entre os jogadores não é suficiente para paralisar o jogo.

"Eu não marcaria. Acho que o Alexandre Vargas sentiu a pressão de muitos jogadores experientes e também a pressão da torcida. Mesmo ele sendo de um estado forte [Rio de Janeiro] no futebol, ele foi muito mal. O jogador do São Paulo já vem desequilibrado. Tem o toque? Tem, mas aquele toque não é suficiente para derrubar. Ele [André] já vem desequilibrado para a jogada. Eu não marcaria", iniciou Loebeling, que explicou a ausência da tecnologia no lance.

"O VAR não interfere porque é um lance interpretativo, não é um erro grosseiro", finalizou o ex-juiz.

Para Marsiglia, a queda do jogador do São Paulo foi "espalhafatosa" e acabou enganando o árbitro da partida.

"No lance do pênalti, o jogador Marllon, do Cuiabá, engancha a mão direita na camisa do André Anderson, do São Paulo, que se atira ao solo de forma espalhafatosa. Não houve por parte do Marllon nenhum movimento que justificasse a queda do adversário como ocorreu. Não houve o pênalti".

"Importante frisar que o VAR também errou ao não recomendar a revisão do lance pelo árbitro de campo", complementou Marsiglia.

Já José Aparecido citou que jogadas parecidas com a de André Anderson e Marllon ocorreram no duelo — e que não houve qualquer tipo de infração assinalada.

"Considerando os lances do jogo, tivemos lances semelhantes e que não foram marcados faltas para ambas as equipes. Sendo assim, o árbitro não deveria ter marcado o pênalti", falou.

EXPULSÃO DE JONATHAN CAFU

Os ex-árbitros também avaliaram a expulsão de Jonathan Cafu, do Cuiabá, minutos após o empate do São Paulo. Em um lance ofensivo do time visitante, o atacante acabou errando o chute e acertou, com as travas da chuteira, a canela do zagueiro Arboleda.

"A expulsão do Jonathan Cafu é justa. Ele vem com o pé por cima. Aí você pode falar: 'ele pegou o tornozelo porque o Arboleda tirou a bola', mas não é isso, não. É porque ele [Arboleda] tira a bola, mas o Cafu vem com o pé por cima e tem a questão da intensidade da falta. Eu expulsaria, acho o cartão vermelho justo", disse Loebeling.

Marsiglia seguiu a mesma linha do ex-parceiro de profissão. "O Cafu deixa a bola escapar e, quando avança para a 'dividida' com o Arboleda, perde o tempo da bola, erra o bote e vai direto na canela do jogador do São Paulo. O pé do Jonathan Cafu não passa nem perto da bola. É o que a regra estabelece como 'jogo brusco grave'. A expulsão foi justa".

Este lance, no entanto, não foi unânime entre os entrevistados. José Aparecido mostrou uma opinião diferente e considerou a aplicação do cartão vermelho como atitude incorreta de Tavares.

"Penso que a decisão foi um pouco rigorosa, uma vez que os dois estavam disputando a bola. Acho que um cartão amarelo cairia bem".

Mais opiniões

Carlos Eugênio Simon, árbitro que trabalhou em duas Copas do Mundo, também avaliou as jogadas. Em comentário dentro do Sportscenter, da ESPN, ele acredita que Tavares se equivocou nos dois lances: tanto no pênalti, em que o contato é insuficiente para uma infração, quanto na expulsão, em que não há "jogo brusco".

Sálvio Spinola, comentarista do Grupo Globo que estava na transmissão do duelo, tem opinião idêntica à de Simon. "Não foi nada [em relação ao pênalti]. Tem o contato de jogo, mas nada faltoso", disse ele, que também considerou um erro a aplicação do cartão vermelho para Cafu.