Ex-árbitro ataca Marques e dirigente
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segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Agência Estado 
Jacareí - O ex-árbitro de futebol Edílson Pereira de Carvalho entrou em campo ontem à tarde, mas desta vez para a primeira entrevista coletiva, depois de ser preso, há três semanas ao confessar participação na chamada ''máfia do apito''. A coletiva, em um campinho de futebol, no condomínio onde mora, em Jacareí, no Vale do Paraíba, durou uma hora e meia e teve um motivo principal. ''São mais de duzentos telefonemas por dia. Se Deus quiser, a partir de hoje à noite, eu não vou ter mais transtornos''.
Assim como no depoimento à Polícia Federal e à Comissão do Tribunal de Justiça Desportiva, Carvalho novamente assumiu a fraude, confessou o erro, mostrou arrependimento mas discordou da anulação das 11 partidas.''O Superior Tribunal de Justiça Desportiva errou ao anular os jogos. Na minha opinião não deveria ter sido anulado nenhum jogo''.
A principal revelação de Carvalho, foi a confirmação dos telefonemas que recebia de Reinaldo Carneiro Bastos, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol e do ex-diretor de arbitragem da CBF, Armando Marques, para que tentasse manipular alguns jogos. Cinco foram as partidas apontadas por Carvalho: Flamengo x Juventude (2001), Nacional x Boca Juniors (Mercosul, 2001), Santos x São Caetano (2004), Corinthians x Portuguesa Santista (2005) e Mogi Mirim x Santos (2005).
As duas primeiras pedidas por Marques e as três últimas por Bastos. ''Eu não tenho nada que comprove, a não ser a minha esposa, mas falo por mim. O Armando pediu que eu olhasse com carinho para o Flamengo. O que ele quis dizer com isso?'', questionou. ''É claro que eu entendi. Não precisava explicar. Daquele dia em diante passei a ter medo de atender telefone do Armando'', completou. ''Se eu toparia uma acareação? Claro, mas não tenho provas, mas tenho certeza que muitos árbitros sofrem a mesma pressão''.


