Atibaia, 26 (AE) - Foram apenas quatro dias de Corinthians, o suficiente para Evaristo de Macedo transformar completamente o método de trabalho implementado no clube por Wanderley Luxemburgo no ano passado e seguido por Oswaldo de Oliveira. Adepto de uma outra "filosofia" e pertencente a uma geração mais antiga, Evaristo provocou um verdadeiro choque cultural no grupo de jogadores e na remanescente comissão técnica rotulada por Luxemburgo como "um exemplo de profissionalismo".
As palestras motivacionais a portas fechadas de antigamente foram substituídas pelas conversas descontraídas, recheadas por piadas para todo mundo ouvir. A figura do psicólogo sumiu. A distribuição das funções entre os membros da comissão técnica tornou-se mais discreta porque Evaristo é do tipo centralizador. Ao mesmo tempo, o novo treinador corintiano gosta de misturar-se aos jogadores até nas rodas de "bobinho" e aceita com um bom sorriso ser o alvo das brincadeiras deles.
"Como é mesmo o nome daquele treinador que, na época de jogador, parece que jogou e bem no Real Madrid e no Barcelona? Alguém já ouviu falar? É Arisco? É Petisco?", indagou Vampeta após o treino de hoje.
"Não; é Evaristo mesmo", respondeu o técnico, levando os atletas às gargalhadas.
Se o estilo Evaristo de ser ainda não conquistou definitivamente a comissão técnica, o mesmo não se pode dizer em relação aos jogadores.
"Parece que ele está com a gente há mais de um ano; o Evaristo é alegre, extrovertido, sabe descontrair e dar bronca na hora certa: ele fala a nossa língua", derreteu-se o meia Marcelinho Carioca, que vivia às turras com Luxemburgo. "Esse estilo meio boleiro dele tem ajudado muito nesse início de trabalho", concordou Edílson. "Os atletas gostaram da descontração dele e a adaptação tem sido rápida", afirmou o auxiliar Oswaldo de Oliveira.
O estilo Evaristo - Para Evaristo, é fundamental brincar com os atletas às vésperas de um jogo importante. "Todos nós sabemos da responsabilidade, mas eu não posso ficar criando um clima de tensão; quando mais leve o time estiver, melhor", afirmou.
O treinador tem procurado incutir um ambiente de autoconfiança entre os jogadores. "Se eu falar que o time nunca foi bem numa Libertadores e em outras competições internacionais, aí que é que vai continuar não indo bem mesmo; o importante é que nós temos jogadores internacionais em condições de criar uma tradição internacional para o clube", discursa.
Evaristo diz ter totais condições de assumir esse papel de mentalização. Psicólogo? "Não sou contra e nem a favor, sigo o meu caminho: mas, geralmente, as pessoas que consultam psicólogos são as mais necessitadas." Formado em Educação Física, com cursos especializantes, Evaristo de Macedo faz questão de acompanhar o trabalho de todos os setores do departamento de Futebol, da rouparia à diretoria. "O treinador é sempre o primeiro a sair quando o time vai mal e se o treinador relaxa, todo mundo relaxa", justifica.
A estréia - Uma estréia é sempre uma estréia, mesmo para o experiente Evaristo, de 64 anos. "Qualquer jogo, principalmente o inicial, mexe", diz. "É como um médico: por melhor que ele seja e por mais pessoas que ele tenha operado, sempre ele terá a preocupação de que aconteça alguma coisa desagradável na cirurgia." Como qualquer estreante, Evaristo sonha também com a vitória. "Um bom resultado ajudaria na implementação das minhas idéias", explica o recém-chegado.

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