Evaristo promete vida nova ao Corinthians
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Paulo Guilherme 
Atibaia, SP, 24 (AE) - Evaristo de Macedo gastou todo o seu repertório de piadas na primeira conversa que teve com todos os jogadores do Corinthians. O novo treinador sentiu que o ambiente no elenco ficou um pouco tenso com a mudança no comando da equipe. A primeira coisa que está procurando fazer é acabar com a imagem de ranzinza que se criou ao redor do seu nome ao longo dos anos. O segundo passo: fazer os jogadores esquecerem as tensões vividas neste conturbado início de ano.
Os atletas terão pouco tempo para se habituar ao estilo do novo treinador. Evaristo troca as piadas por um discurso mais sério em questão de segundos. Ao mesmo tempo em que quer ver o time jogando leve, solto, exige dos jogadores muita responsabilidade. "Vamos começar uma vida nova", destaca. "Não podemos deixar nossos adversários crescer, temos de ter força para nos impor em campo."
O Corinthians terá um jogo importantíssimo sábado, contra o Palmeiras, na sua estréia na Taça Libertadores da América. O time está concentrado em Atibaia, onde Evaristo acredita que possa alcançar uma grande intimidade com seus novos comandados. Hoje, pela manhã, Evaristo deu uma palestra de uma hora aos atletas, à beira do lago do hotel em que a delegação está hospedada. A conversa séria foi recheada com muitas piadas e brincadeiras. O treinador até participou do bobinho com os jogadores, para quebrar o gelo.
"No primeiro dia, é normal estar todo mundo pisando em ovos; afinal, eu estou chegando ao Corinthians com fama de durão, que não é verdadeira", afirma Evaristo. "Não conheço direito os jogadores; por isso, procurei desarmar os espíritos, inclusive o meu."
A presença de Oswaldo de Oliveira, que voltou ao cargo de auxiliar-técnico, depois de uma frustrada tentativa de ser efetivado como treinador da equipe principal, está ajudando a aproximar Evaristo dos jogadores.
O teor da longa conversa do técnico com o elenco foi mantido em sigilo. "É uma coisa nossa, só os mosquitos sabem o que falamos", destaca Amaral. O atacante Edílson era um dos mais animados na preleção. "Demos gargalhadas só para não deixar o homem sem graça", comenta. "Sempre que muda o técnico, o pessoal fica um pouco tenso, todo mundo querendo mostrar serviço."
Marcelinho, que trabalhou com Evaristo no Flamengo, está sendo um elo de ligação entre o técnico e os jogadores. "O Evaristo fala a nossa língua", diz. Ele espera que o novo treinador não o obrigue a marcar o lateral Júnior no clássico de sábado, como pedia Luxemburgo. "Se eu bem conheço o Evaristo, ele vai escalar dois volantes fixos para aumentar a marcação", prevê.
Quem corre risco de perder lugar na equipe é o goleiro Nei. As falhas que mostrou nos dois gols sofridos na goleada sobre o Ubiratan, sábado, revelaram certa insegurança do goleiro. O reserva imediato, Maurício, que foi titular com Evaristo quando ambos estavam no Santos, há seis anos, está confiante. "Minhas chances aumentaram", afirma.
Nei defende-se. Reconhece que não foi bem na última partida, mas garante que já recuperou a forma física que o levou a ser um dos destaques da campanha do título brasileiro do ano passado. "Os erros acontecem na vida de todos os grandes goleiros", argumenta. Evaristo vai consultar o preparador de goleiros Paulo César Gusmão para definir quem será o camisa 1 corintiano.


