Evair será treinador depois de encerrar a carreira
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Dinoel Marcos de Abreu 
São Paulo, 05 (AE) - O futebol brasileiro ganhará brevemente um novo técnico. Evair, do Palmeiras, já começa a fazer planos para encerrar a carreira de atleta e começar outra atividade profissional. O jogador, um dos mais experientes do elenco do Alviverde, garante que vai continuar no futebol. "Decidi que serei treinador", afirma o atacante, de 34 anos, que ainda não definiu a data para "pendurar" as chuteiras. "Enquanto eu tiver fôlego e continuar sentindo um friozinho na barriga antes de partidas decisivas, vou continuar em campo, porque ainda terei motivação."
Ao ser contratado pelo Palmeiras no início do ano, Evair disse que, em dezembro, iria encerrar a carreira. Ele havia assinado contrato por meio da Parmalat, o patrocinador do clube, até julho. Com a conquista do título da Taça Libertadores da América pelo Alviverde e a boa atuação do atleta durante o primeiro semestre, o técnico Luiz Felipe Scolari pediu a permanência do atacante. Evair, então, renovou o contrato até o fim do ano. Pode ser que continue no Parque Antártica na próxima temporada; por isso, adiou o fim da carreira.
Enquanto esse dia não chega, ele começa a traçar o perfil do treinador que pretende ser um dia. Com cerca de 20 anos de carreira, o atacante trabalhou com vários técnicos. Com eles aprendeu muita coisa sobre táticas, liderança e comportamento. "Entre os treinadores, destaco Otacílio Gonçalves, Luiz Felipe Scolari, Wanderley Luxemburgo, Gainete e Candinho, todos muito competentes", comenta.
Evair promete aprofundar-se na nova profissão. Assim que parar de jogar, pretende fazer vários cursos de treinador, no Brasil e no exterior. E mais: quer começar a carreira modestamente. "Não tenho a pretensão de iniciar diringindo uma equipe da Primeira Divisão do futebol brasileiro", afirma o aspirante a técnico. "Vou começar como auxiliar e subir aos poucos." O atacante tem histórias para contar aos seus jogadores e acredita que os títulos poderão lhe dar carisma na nova profissão. Com o Palmeiras, foi bicampeão brasileiro e paulista (1993/94) e campeão da Taça Libertadores da América neste ano. No Vasco, foi novamente campeão brasileiro, em 1997.
Ele é o artilheiro da década de 90 do Alviverde, com 120 gols. Mas ainda não quer viver do passado. "Só vou perceber se virei um ídolo do Palmeiras quando for ao Palestra Itália para assistir a um jogo, depois de ter encerrado a carreira, e ser reconhecido pelos torcedores."


