A Comissão Européia está disposta a adotar uma decisão que vai revolucionar o futebol profissional, impondo o fim do sistema atual de transferências de jogadores. Isso porque a direção de concorrência, conhecida como ‘‘DG4’’, considera que a forma atual das transações atinge os princípios da livre concorrência e circulação, previstos no Tratado de Versalhes. Os comissários europeus em Bruxelas pretendem aplicar, pura e simplesmente, o direito nacional em caso de ruptura de contrato de trabalho com duração determinada. A medida poderá ser tão drástica que a direção da Fifa decidiu convocar para hoje, em Zurique, uma reunião extraordinária para analisar essa possível evolução que, a seu ver, provocaria um verdadeiro caos.
Dessa forma, para contratar um jogador bastaria que um clube pagasse a quantia correspondente aos salários que o jogador, sob contrato, ainda deve a seu clube empregador. Nesse caso, Anelka, contratado pelo Paris Saint Germain junto ao Real Madrid por US$ 30 milhões poderia ser contratado, no final do ano atual, por qualquer outro clube por apenas 10 milhões de dólares, desde que aplicado o novo cálculo de um contrato de trabalho com duração determinada.
Hoje, a Comissão Européia estima que as indenizações pagas pelos clubes para recrutar jogadores constituem entraves às regras da livre circulação dos trabalhadores. Outra crítica da comissão de concorrência contra os dirigentes é que em muitos casos, o principal interessado, no caso o atleta, não é sequer consultado. Isso foi o que aconteceu com o atacante Wiltord, transferido do Bordeaux para o Arsenal, depois de longas negociações entre os dois clubes que não chegavam a um acordo, prejudicando o jogador que não teve direito a palavra.
Entre as numerosas consequências dessa iniciativa cita-se uma menor influência do dinheiro no futebol, enquanto os empresários, cuja atuação nem sempre é transparente nessas transferências, veriam o valor de suas enormes comissões degringolar.

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