Rio de Janeiro - O presidente do Vasco, Eurico Miranda, anda sumido dos noticiários esportivos. Ele diz que os anos de experiência mudaram seu comportamento, mas não suas convicções. Não poupa críticas ao presidente do Flamengo, Márcio Braga, que insinuou existir um Caixa 2 em São Januário. Ainda alfinetou a parceria do Corinthians com a MSI.

Agência Estado - O senhor deseja se livrar da imagem de brigão?
Eurico Miranda - Nunca fui grosseiro! As pessoas fazem uma imagem de que sou mafioso, não é assim. Continuo com os mesmos posicionamentos, respondo direto, nada deixo sem resposta. Mas em alguns casos passei a ignorar...

AE - Resolveu não se meter mais em assuntos de outros clubes?
Miranda - Sou constantemente procurado para ajudar. Sou vice do Clube dos 13 e toda minha participação é no sentido de ajudar. Mas deixei de comprar brigas de graça.

AE - É por causa do isolamento que diz ter sofrido na CPI do Futebol (iniciada em 2000 para investigar o futebol brasileiro)?
Miranda - Não. Entendo que muitas vezes as pessoas têm medo.

AE - E o senhor não tem?
Miranda - Não. Até porque o episódio da CPI tem uma explicação. Ela investigou um período em que eu não era o presidente do Vasco.

AE - Concorrerá em 2006?
Miranda - Tem muita coisa minha em tudo que foi feito no Vasco. Fizemos a concentração, a escola dentro do clube, aparelhamos e erguemos tudo com sacrifício. Mas já na eleição passada chamei as pessoas que realmente tinham responsabilidade e disse que, se quisessem assumir, eu nem participaria. Agora, se aparece alguém que não sei se tem responsabilidade, que é o que vem acontecendo na maioria dos clubes, esse cara não entra no Vasco.

AE - O Vasco não tem interesse de aumentar o número de sócios?
Miranda - Para quê? Para meia dúzia de cafajestes que querem entrar só por questão política?

AE - Mas e o torcedor que deseja se tornar sócio?
Miranda - Vai para o sócio torcedor. E vai receber da mesma maneira um título de sócio proprietário.

AE - A parceria com o Bank of America foi um erro?
Miranda - Só conflitamos quando eles acharam que deveriam ter uma participação. Como esse tipo de parceria que tem no Corinthians, não tem nenhuma chance aqui.

AE - Mas a torcida está tratando o Kia Joorabchian como ídolo.
Miranda - Tão amando o Kia, é? A torcida ama o Kia enquanto o time vence. Você vai ver quando isso não der certo: vão fazer ele voltar correndo para o Irã.

AE - E qual seria o modelo ideal?
Miranda - Para o Brasil é algo que tentei e deu certo. Fiz um negócio que foi bom enquanto durou. Foi o Projeto Olímpico (contratou atletas para competir pelo clube, em 98, com a parceria do Bank of America). O Comitê Olímpico agora é obrigado a pagar aos atletas. Isso vem do Projeto Olímpico, mostrei que tendo boa vontade dá.

AE - O presidente do Flamengo, Márcio Braga, afirmou que a não aprovação da Timemania representará a falência. E insinuou que o Vasco não precisa porque tem Caixa 2.
Miranda - Desafio que ele diga isso e cite o Vasco. Se é que ele tem coragem. Clube de futebol não tem a menor possibilidade de ter isso que se chama de Caixa 2. Não tem possibilidade porque tem que ser uma quadrilha numerosa instalada em um clube para poder agir assim.

AE - O senhor foi deputado federal por dois mandatos consecutivos, 1995 a 2002. Ainda tem alguma pretensão política?
Miranda - Quem sabe?

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