Eurico Miranda ignora liminar e proíbe repórteres no Vasco
mas não podemos abrir mão do direito de informar", observou o editor de Esportes de O Globo, Antonio Nascimento. O Departamento Jurídico do jornal estuda uma ação contra o clube. Nos últimos jogos do Vasco, faixas espalhadas por São Januário e o placar eletrônico do estádio têm ajudado a incitar os torcedores contra os profissionais de imprensa. As mensagens pedem um boicote aos jornais que não respeitam o clube. Essas medidas estão provocando a reação violenta de parte da torcida. Um carro do Jornal dos Sports teve as lanternas e o limpador de pára-brisa destruídos no sábado, dia do jogo com o Palmeiras. "Na redação, temos recebido até ameaças de morte por telefone"
contou o editor-chefe do Jornal dos Sports, Washington Rope. Ele lembrou que Eurico chegou ao ponto de ofender um oficial de justiça na porta do clube. "Nossa liberdade de trabalho foi atingida." O Jornal dos Sports enviou cartas à Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e à Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais (Fenaj) para relatar os fatos e pedir uma posição das entidades sobre o episódio. O editor de Esportes do Extra, Gilmar Ferreira, explicou que a orientação do jornal é a de "não se deixar intimidar com as exigências do Vasco". Gilmar admitiu a dificuldade na cobertura do noticiário do clube e acredita no recuo de Eurico, por uma questão comercial: "O patrocinador do clube quer ver sua marca em evidência."Por Silvio Barsetti Rio de Janeiro, 20 (AE) - O deputado federal Eurico Miranda (PPB-RJ) está impedindo profissionais de alguns jornais cariocas de trabalhar nas dependências do Vasco, onde exerce o cargo de vice-presidente de Futebol. O dirigente está sendo acusado de desafiar decisões judiciais que garantem a entrada no Estádio de São Januário de repórteres de O Globo, Extra e Jornal dos Sports - cerceados por causa da interpretação dada por Eurico à cobertura desses veículos à prisão do jogador Edmundo, dia 6, motivada por seu envolvimento num acidente de trânsito. Os demais dirigentes do Vasco curvaram-se à determinação de Eurico e não ousam questioná-lo. "Essa é a resposta à forma cruel e desumana como trataram o Edmundo", disse hoje Eurico. O Vasco divulga nota oficial amanhã para justificar a continuidade das restrições. Mesmo de posse de liminares, os repórteres são barrados no clube por porteiros e seguranças. "Esses funcionários fomentam um clima hostil e alertam os torcedores do Vasco quando chegamos ao clube", disse o jornalista Antonio Maria Filho, de O Globo. Diante da recusa, os repórteres têm recorrido à força policial para tentar acesso aos jogadores após os treinos. "Nosso trabalho tem sido muito prejudicado por essas atitudes medievais





