Eurico ironiza CPI mas se complica
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
O deputado federal Eurico Miranda (PPB-RJ) tentou ontem dar um novo drible na CPI da CBF/Nike ao prestar depoimento espontâneo, mas obteve sucesso apenas parcial. Por ter se apresentado espontaneamente à comissão, estava desobrigado a fazer o juramento e, com isso, poderia responder apenas as questões que quisesse. Por causa disso, em vários momentos, respondeu com ironia muitos dos questionamentos. Às vezes reagiu de maneira grosseira com seus colegas parlamentares. Recebeu, porém, alguns golpes. Complicou-se ao não explicar a troca de um cheque de US$ 110 mil no câmbio paralelo, e agora corre alguns riscos: poderá ter o sigilo bancário quebrado e está ameaçado por um processo por quebra de decoro parlamentar.
Apesar de haver iniciado o seu depoimento, afirmando que estava ali na comissão com a representativa de 110 mil votos, maior que a de muitos dos que estão aqui, o deputado não convenceu os parlamentares da CPI quando explicou o episódio da troca de um cheque administrativo, no valor de US$ 110 mil, emitido pela Confederação Sul-Americana de Futebol em favor do Vasco.
Segundo o deputado, o clube recebeu o cheque, referente ao ressarcimento de despesas que realizou, durante o período em que esteve em Tóquio, no Japão, disputando a final da Copa Intercontinental. Eu recebi o cheque, endossei e, daí para a frente, não sei quem cambiou no paralelo. Se foi em Tóquio, se foi em Nova York, não sei, disse Eurico Miranda.
Pontuado por troca de acusações mútuas entre o presidente do Vasco e os deputados petistas Geraldo Magela e Pedro Celso, ambos do Distrito Federal, o sentimento na CPI é que foi inútil ouvir Eurico Miranda sem que o deputado houvesse feito o juramento. Como ainda estamos analisando a documentação dos clubes e federações, nós não tínhamos a documentação completa para fazer a inquirição do deputado Eurico Miranda, ponderou o presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PC do B- SP).
No bate-boca que se travou entre Eurico Miranda e os parlamentares petistas, o dirigente do Vasco afirmou que Pedro Celso, ex-secretário de Trabalho do Governo do Distrito Federal, não resistiria a uma investigação, principalmente com relação ao FAT (Fundo de Amparado ao Trabalho).
Eurico Miranda foi categórico em afirmar que se Magela quisesse mesmo investigar o futebol brasileiro teria de começar analisando os contratos da Globo. Quem comanda o futebol brasileiro é a Rede Globo, doutor, disse Eurico Miranda.
Na próxima reunião da CPI, ainda sem data marcada, os deputados devem apreciar requerimentos de autoria dos deputados Geraldo Magela, Pedro Celso e Dr. Rosinha (PT-PR), pedindo a quebra dos sigilos bancários do Vasco da Gama e do deputado Eurico Miranda.
Quando lembrado que a CPI do Futebol, no Senado Federal, já quebrou esses sigilos e que foram contestados no Supremo Tribunal Federal (STF) Dr. Rosinha disse que a CPI da Câmara saberá justificar o requerimento.


