O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), presidente da CPI do Futebol instalada no Senado, criticou ontem a participação de deputados federais ligados a clubes na comissão da Câmara. ‘‘Um dirigente participar de CPI sobre futebol é como colocar um cabrito para cuidar da horta. É inexplicável’’, afirmou Dias (foto).
O senador reagiu aos ataques dos deputados Eurico Miranda (PPB-RJ), vice-presidente do Vasco, e Luciano Bivar (PSL-PE), presidente do Sport, de Recife, que criticaram a intenção dos senadores de investigar os clubes.
‘‘Não há como excluir os clubes da investigação. O futebol gira em torno dos clubes. Eles asseguram a perenidade dos dirigentes das entidades maiores do futebol e são responsáveis por irregularidades que dizem respeito à Previdência Social, à Receita Federal e à sonegação de cobertura cambial’’, afirmou Dias. ‘‘A marginália do futebol utiliza-se dessa tática torpe e prepotente aliada à mediocridade no exercício das funções.’’
O senador disse que a convocação de Eurico Miranda para depor na CPI do Senado será aprovada na próxima semana. Dias também respondeu aos ataques do presidente do Sport, que o chamou de ‘‘pulha’’ e ‘‘enganador’’. ‘‘Isso revela preocupação com a CPI do Senado. Quem agride é porque teme a investigação. Trata-se de uma autoconfissão de culpa.’’
Na próxima semana, o senador vai pedir ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, e ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, que representantes do Ministério Público e técnicos da Receita auxiliem permanentemente a CPI.
Alvaro Dias irá se reunir na segunda-feira com o vice-presidente da CPI, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), e com o relator, Geraldo Althoff (PFL-SC), para estabelecer o calendário dos trabalhos.
Também deverá participar da reunião um representante do Prodasen (Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado). A CPI quer criar um site na Internet para receber denúncias de irregularidades no futebol.
Os depoimentos, no entanto, só deverão começar após o segundo turno das eleições municipais, no próximo dia 29. O técnico Wanderley Luxemburgo será um dos primeiros a depor.
Restrição – A bancada do PSB na Câmara dos Deputados já tem pronto um requerimento destinado ao presidente da CPI da Nike, Aldo Rebelo (PC do B-SP), no qual solicita que os integrantes da comissão ligados a clubes de futebol sejam impedidos de votar quando estiverem em pauta assuntos que interessem a seus times.
Dos 20 deputados já indicados pelos partidos para a comissão, pelo menos 12 são ligados a clubes de futebol. Entre eles estão dirigentes ou ex-dirigentes, conselheiros de clubes e parlamentares que têm ligação com federações estaduais de futebol. Ainda faltam ser indicados cinco integrantes.
O requerimento do PSB está sendo analisado pelo representante do partido na comissão, deputado Eduardo Campos (PE), que ocupa uma das suplências.
Ele disse que a decisão de encaminhar ou não o requerimento deverá ser tomada até o começo da próxima semana, depois de uma conversa com outros parlamentares do partido.
O texto usa como argumento o artigo 180 do regimento interno da Câmara. O artigo diz que um deputado deverá ‘‘dar-se por impedido’’ quando estiver em votação um ‘‘assunto em que tenha interesse individual’’.
Luxemburgo – O ex-técnico da seleção Wanderley Luxemburgo prestou ontem depoimento na 1ª delegacia de Polícia Civil, no centro do Rio, e apresentou provas para acusar a estudante de Direito Renata Carla Moura Alves de extorsão e calúnia.
O treinador levou uma fita cassete e um fax ao delegado Carlos Heitor Sanches, que considerou que há ‘‘comprovantes contundentes’’ de que houve chantagem. A fita contém a gravação uma conversa entre o advogado de Luxemburgo, Michel Assef, e supostamento o advogado de Renata, Aralton Lima Júnior.
Durante o encontro, a voz, que seria de Lima Júnior, pede o pagamento de R$ 1,5 milhão para que a estudante parasse de acusar o treinador. Em um fax, que estaria assinado por Renata e pelo advogado, eles fazem o mesmo pedido. Sanches afirmou que acredita na autenticidade da fita apresentada por Luxemburgo, que foi gravada no escritório de Assef. Isto porque a fita foi periciada, a pedido do treinador, por Mauro Ricartes, ex-diretor do Instituto de Cirminalística Carlos Éboli. ‘‘Ele é confiável e um dos melhores do Rio, mas devo aguardar a perícia oficial’’, explicou.
O treinador evitou a imprensa, contando com a ajuda do delegado, que informou que não haveria depoimento para despistar os jornalistas. Segundo Sanches, Luxemburgo estava ‘‘tranquilo e equilibrado’’ durante o depoimento, que durou uma hora e meia. Originado em uma notícia-crime apresentada por Assef, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que o analisará e, depois, pode enviá-lo para a Justiça.

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