Rio de Janeiro, 20 (AE) - O vice-presidente de Futebol do Vasco, Eurico Miranda, denunciou a venda de ingressos falsos em jogos do Campeonato Carioca e pediu que os organizadores da competição aumentem o número de ingressos à venda na sede dos clubes. Ele também criticou a ação de cambistas antes de algumas partidas, principalmente no clássico final da Taça Guanabara, entre Flamengo e Vasco. "Isso é muito grave, mas as pessoas que estão envolvidas na organização do campeonato não querem apurar nada", afirmou.
O dirigente referia-se, em parte, ao jornal Extra, que tem um contrato com os clubes e a Federação de Futebol do Rio, pelo qual se estabelece que 80% dos ingressos de cada jogo podem ser vendidos em bancas de jornal. Miranda acredita que essa "fórmula" atrapalha os clubes e dá espaço para a ação de ladrões e falsificadores.
O diretor do Extra, Renato Maurício Prado, explicou que é difícil uma repressão aos cambistas por causa da inexistência de uma lei que coíba a ação desses vendedores. Ele rebateu a acusação de Miranda de que organizadores da competição não teriam boa vontade para resolver o problema da venda irregular de ingressos e de um possível derramamento de entradas falsas.
"O Eurico quer que volte tudo como era antes - aquele campeonato todo bagunçado -, ele não quer aceitar o sucesso extraordinário da competição, com a presença espetacular de público", disse Prado. Prado não tomou conhecimento, oficialmente, da existência de ingressos falsos e revelou que uma carga de mais de mil ingressos foi roubada de um depósito do jornal na madrugada de sábado. Esses bilhetes teriam possivelmente sido vendidos por cambistas, domingo, nos arredores do Maracanã.
Ainda no domingo, um jornaleiro de São Gonçalo, no Grande Rio, sofreu um assalto e teve de entregar os ingressos do clássico. "Para o clássico final da Taça Guanabara, nós até abrimos uma exceção e enviamos 50% dos ingressos para Vasco e Flamengo", contou Prado.

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