Brasília - Após perderem a queda de braço com o governo, os cartolas do futebol partiram ontem para o ataque uns contra os outros. Em Brasília, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, disse que o ''grande vilão'' da ameaça de paralisação do Campeonato Brasileiro, que acabou não ocorrendo, foi o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Ele acusou Teixeira de mentir ao dizer que a idéia de interromper o campeonato teria partido dos clubes.
''Isso foi uma coisa preparada, uma trama urdida, bem feita, mas que eles esperavam que tivesse um desfecho e na verdade teve outro'', disse Eurico, atribuindo à CBF e a outros ''segmentos interessados'' a iniciativa de paralisar o Brasileiro. ''O senhor Ricardo Teixeira mentiu ao dizer que os clubes pediram em algum momento para que não tivesse a rodada. A idéia partiu deles.'' O presidente do Vasco não especificou quais seriam esses ''segmentos interessados''.
Ele e o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, reuniram-se com o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, no fim da manhã, na sede do ministério. Após o encontro, os três falaram à imprensa. O discurso de Eurico e Koff em nada lembrava o da véspera, quando eles e outros dirigentes de clubes, da CBF e deputados federais discutiram por quase três horas, sem chegar a um acordo, uma saída para o impasse em torno da ameaça de paralisação.
O grupo de cartolas reclamava do Estatuto de Defesa do Torcedor, espécie de Código de Defesa de quem frequenta os estádios no País que entrou em vigor na última sexta-feira, após ter sido sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Eurico garantiu, ao final da reunião de quarta-feira à noite, que o Vasco não entraria em campo com essa medida em vigor. Ficou acertado então que a Advocacia-Geral da União (AGU), órgão ligado à Presidência da República, prepararia parecer interpretando a norma, de modo a deixar claro para os cartolas que os dirigentes só podem ser responsabilizados por falhas de segurança após a devida apuração de cada caso.
E que, com base nesse parecer, os dirigentes decidiriam pelo fim ou não da ameaça de paralisação. Mas ontem, menos de 24 horas depois, Koff e Eurico diziam que o parecer não era mais necessário para assegurar a rodada do fim de semana.
Eurico não mediu palavras para atacar Teixeira. ''Se alguém quis fazer algum confronto com o governo, se alguém quis fazer uma queda de braço, se alguém quis fazer chantagem, partiu da CBF, não partiu dos clubes. Os clubes em nenhum momento quiseram confronto, muito pelo contrário'', disse Eurico, afirmando que não entrará em choque com o governo Lula e prometendo ficar ao lado do governo até mesmo se forem adotadas medidas contra o Vasco da Gama.
Segundo o ministro, o desfecho foi favorável ao futebol brasileiro. ''Evidente que o grande vencedor é o futebol brasileiro, o esporte, o Brasil. Tanto o estatuto quanto a lei de modernização do futebol são instrumentos indispensáveis para moralizar e profissionalizar o futebol brasileiro'', disse o ministro.

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