Euforia no final feliz
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segunda-feira, 08 de dezembro de 2008
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em uma partida em que o resultado poderia ser traumático, o torcedor atleticano não conseguiu conter o choro. Mas, ontem, após meses de sofrimento, o choro não foi de tristeza, mas de um grande alívio. Quem passou próximo da Arena da Baixada, após a vitória do Atlético sobre o Flamengo por 5 a 3 e estava desavisado, poderia imaginar que não tinha sido o São Paulo que havia recém-conquistado o título do Brasileiro, tamanha foi a demonstração de felicidade do torcedor rubro-negro.
As ruas ficaram congestionadas, de longe se ouviam o buzinaço e os gritos de torcedores se abraçando, mostrando com orgulho a bandeira atleticana. Tudo para espantar o fantasma do rebaixamento. "O Atlético não vai cair nunca", afirmou um torcedor.
Mas durante o jogo o "nunca" não parecia tão longe. Depois do torcedor respirar aliviado ao ver o time abrir 2 a 0, o gol do Flamengo conteve a euforia das arquibancadas. Julio Cesar, com categoria, ampliou a vantagem do Atlético, mas logo depois Marcelinho Paraíba balançou a rede, avisando que o jogo só se define mesmo após o apito final do árbitro.
Mas no segundo tempo, ninguém teve mais dúvida de que o Atlético permaneceria na Primeira Divisão. Aos 27, a estrela de Geninho, coroado como o grande responsável pela campanha de recuperação do time, brilhou. No primeiro lance de Zé Antônio, que havia substituído Alberto, gol do Atlético, que ainda se beneficiava com a derrota do Vasco da Gama. O quinto veio de pênalti, com direito a paradinha de Alan Bahia. O Fla fez o terceiro, mas a festa já não poderia ser mais estragada.
"O objetivo hoje foi cumprido, que era fazer com que o Atlético não caísse. Conseguimos com o trabalho de todos e o apoio dessa torcida que nunca nos abandonou", disse o meia Netinho.
Entre os jogadores, o agradecimento ao treinador Geninho, que aceitou o convite para dirigir um grupo dividido, com crises internas e poucas perspectivas. "Tinha uma comissão que só falava dos nossos defeitos e o Geninho sempre colocou a gente para cima, mostrou a qualidade, porque muitos jogadores já jogaram em clubes grandes e qualidade sempre tivemos. Faltou respeito ao nosso grupo", disse o meia Netinho.
De acordo com o técnico Geninho, quando os jogadores entenderam o espírito de coletividade, as intrigas do grupo foram deixadas de lado e os resultados começaram a aparecer. "Eu só tentei passar que disputo um esporte coletivo, cada um fazendo bem a sua parte, o time todo ganha e eles entenderam isso. O mérito é do grupo", disse, modesto, o treinador que se consagrou ao conquistar o título do Brasileiro no Atlético em 2001 e desde então é ídolo na Arena. E agora é ainda mais.
Hoje, será realizada a eleição para o Conselho Deliberativo do clube. Ontem, houve um acordo entre situação e oposição, e o pleito terá duas chapas.


