No primeiro mundial com 32 equipes, algumas surpresas chamaram a atenção de especialistas em futebol que assistiram às 48 partidas da fase inicial. A boa notícia foi a ascensão do México, que assimilou muito bem o espírito da Copa: jogar com o coração. Para os especialistas brasileiros ouvidos pela Agência Estado, a decepção foi a Espanha, que, apesar do favoritismo, voltou para casa mais cedo. No ranking das melhores seleções, o Brasil lidera, seguido por Nigéria, Holanda e Iugoslávia. Entre as que não conseguiram uma vaga para as oitavas-de-final, o ‘‘troféu abacaxi’’ foi a dos Estados Unidos, com três derrotas e frágil esquema tático.
A América do Norte, no entanto, não saiu da competição sem um representante admirado pelos fãs do esporte. O México provou que uma equipe unida vale mais do que vários craques em desarmonia. ‘‘A seleção mexicana tem um conjunto forte, com um futebol prático e regular’’, analisa Bellini, capitão do Brasil na Copa do Mundo de 1958.
Se uma equipe latino-americana está em alta, várias européias estão em baixa. A maior decepção foi a Espanha, vista, no início da Copa, como uma das candidatas à disputa do título. O fracasso da ‘‘Fúria’’ começou com a derrota para a Nigéria por 3 a 2, o que deixou os atletas nervosos para o trágico empate sem gols com o Paraguai. ‘‘A força espanhola não foi suficiente para conseguir a classificação em um grupo de muito equilíbrio’’, afirma o ex-jogador da seleção Clodoaldo.
Para Zizinho, outro ídolo, países de tradição estão perdendo espaço para equipes emergentes. Segundo ele, a Nigéria, por exemplo, encontra na habilidade uma forma de devolver o brilho ao futebol de resultados. ‘‘Eles são rápidos e jogam com alegria’’, declara Zizinho.
A ascensão do futebol africano não significa que o poder europeu esteja com os dias contados. Na França, duas seleções européias despertaram o interesse de especialistas. Holanda e Iugoslávia mostraram que jogar ofensivamente ainda é a melhor defesa, principalmente em tempos modernos. ‘‘A Iugoslávia tem um time compacto, que valoriza o toque de bola’’, lembra Pepe, ex-atleta do Santos. ‘‘Os holandeses jogam para frente, com muita movimentação e dois atletas abertos pelas laterais’’, comenta o técnico do São Paulo, Nelsinho Baptista.
No entanto, a seleção que comanda o ranking das melhores da primeira fase é o Brasil, apesar da derrota para a Noruega. ‘‘Os brasileiros têm experiência internacional e habilidade, fatores que podem desequilibrar na hora da decisão’’, explica Luiz Pereira, zagueiro do Brasil na Copa de 74. Outras seleções que mereceram a atenção dos especialistas foram a Argentina, que não tomou nenhum gol na 1ª fase, e a França.

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