Contratado como estrela pelo Londrina, o meia Silvinho, 32 anos, não foi nem sombra do jogador que ganhou destaque no Japão. O meia conseguiu jogar bem apenas na estreia diante do Paranavaí. Depois, entrou no embalo do restante do time e repetiu atuações fracas.
  Quando foi contratado, Silvinho havia acabado de se recuperar de uma lesão e estava num nível físico abaixo dos demais jogadores. Na segunda rodada, contra o Cianorte, sofreu uma contusão muscular que o afastou da equipe por mais de 20 dias. Quando voltou, o time já estava na decrescente e Silvinho entrou no ritmo.
  Ontem, mesmo de folga, como os demais jogadores, ele falou à Folha sobre o iminente rebaixamento do Tubarão para a Divisão de Acesso do Paranaense e sobre os problemas do time durante o Estadual:
  Folha: Como está o clima entre os jogadores? Vocês já jogaram a toalha?
  Silvinho: O clima não é bom, óbvio. Foi mais uma derrota e a situação vai cada vez mais se agravando. Mas a gente está confiante ainda de que podemos reverter isso. Estamos preocupados, mas com a esperança de ter os resultados a nossa favor na próxima rodada e fazermos a nossa parte contra o Coritiba.
  Folha: O que foi feito de errado para que o time chegasse à situação em que está?
  Silvinho: Olha, é duro falar. Vem desde o começo, na montagem do time, nos treinamentos da pré-temporada, os jogadores não renderam o que se esperava. Enfim, é uma série de fatores.
  Folha: É verdade que os jogadores não queriam a saída do Mauro Madureira?
  Silvinho: Troca de treinador nunca é bom. Na verdade, nós não queríamos que o Madureira saísse. Tentamos uma reunião com o Peter, para que ele voltasse atrás na decisão, mas ele e os conselheiros acharam melhor trocar. Independentemente de quem viria, pois havia até a possibilidade de o Adalberto (de Jesus, auxiliar técnico) assumir. Eles esperavam uma mudança, que não aconteceu. Os resultados não vieram do mesmo jeito.
  Folha: Mas alguém fez corpo mole, boicotou o novo técnico?
  Silvinho: Não, corpo mole não. Independentemente do técnico que saiu ou do que veio, isso não tem possibilidade. Se existiu, a gente não ficou sabendo.
  Folha: Os salários chegaram a atrasar? Isso afetou o rendimento em campo?
  Silvinho: Os salários atrasaram em fevereiro, mas depois foram pagos. O desse mês está um pouco atrasado. Não acredito que influencie em campo, mas é claro que é ruim. É importante pagar em dia, pois todos têm família. Mas a gente sabe das dificuldades do clube. Se a gente estivesse bem, o torcedor estaria indo aos jogos e isso ajudaria.
  Folha: Houve racha no elenco?
  Silvinho: Desde o dia em que estou lá, nunca teve esse racha no grupo. Isso me surpreendeu, até pelo momento que vivemos. Teve só discusão, que é normal no trabalho.
  Folha: Por ser da cidade, por ser revelado pelo Londrina e pela sua carreira internacional você sempre teve uma responsabilidade maior e uma cobrança também. Por conta disso, você pode ser um dos alvos para carregar a culpa de um eventual rebaixamento. Como está trabalhando com isso?
  Silvinho: Essa poossibilidade existe mesmo. Não só em cima de mim, mas dos outros jogadores que são da cidade também. Se realmente cairmos, a responsabilidade é de todos, mas fica mais chato para mim mesmo.
  Folha: Você sabe que não foi o Silvinho que esperavam. O que foi determinante para que não conseguisse jogar bem e corresponder às expectativas?
  Silvinho: Eu também não fiquei contente com o meu rendimento e acredito que nenhum jogador ficou. Mas se a maioria não vai bem, não tem como ter um destaque. Eu assumo a responsabilidade, assim como todo mundo tem que assumir a sua.
  Folha: Seu contrato é de um ano. Mesmo com o rebaixamento você pretende continuar no Londrina e disputar a Série D do Brasileiro?
  Silvinho: Olha, eu pretendo ficar mas depende do clube, do que vai ser decidido. (T.M.)

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