Etíope quer o primeiro lugar este ano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de dezembro de 1997
Agência Estado 
Edu Garcia/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
OtimistaO etíope Fita Bayesa espera um melhor resultado no dia 1ºA pergunta é inevitável: Você conhece bem o percurso da São Silvestre? A resposta de Fita Bayesa é afirmativa e confiante, mas seguida de um embaraço indisfarçável. Sorrindo, o etíope, que está no Brasil para disputar a 73ª edição da corrida, não esconde o desconforto de ter deixado a medalha de ouro lhe escapar do pescoço ao errar o caminho que levava os corredores à linha de chegada da prova, em frente ao prédio da TV Gazeta, em 95. Terminou em segundo, atrás do queniano Paul Tergat, bicampeão em 96.
Mas o tropeço na São Silvestre foi apenas o primeiro na carreira do atleta. No ano passado, Bayesa foi vice-campeão de duas provas que liderava por cair nos metros finais da corrida. No Porto, em Portugal, numa esquina com declive à esquerda, perdi o equilíbrio, caí e fui ultrapassado pelo português Antônio Pinto, a 100 metros da chegada, conta. Em Paris, no Grand Prix, meses depois, a história se repetiu.
Correndo num grupo de que fazia parte o queniano Moses Kiptanui, desequilibrou-se mais uma vez e caiu. Provavelmente alguém bateu na perna dele por acidente, explica o empresário Edgard de Veer, que administra a carreira de Bayesa. Ainda assim, o etíope está otimista. Há três meses, venceu Tergat, em Petinengo, na Itália, num percurso acidentado de 13 quilômetros - apenas dois mil metros menor do que o da corrida paulistana. Mas, se depender de resultados recentes, a prova deste ano não tem favoritos.
Batismo Paul Tergat é dono da melhor marca dos 15 quilômetros de todos os tempos (42m12), com seis minutos a menos do que o recorde desta temporada, do etíope Worku Bikila, finalista dos 5 mil metros na Olimpíada de Barcelona e nos Mundiais e Stuttgart e Gotemburgo. Além disso, Bikila derrotou Bayesa este ano. A vantagem do queniano resume-se ao fato de ter vencido a São Silvestre sob sol forte e calor intenso. A boa marca de Bikila nos 15 quilômetros foi alcançada em Amsterdã, num percurso plano, sob um frio de 8C.
Casado, o etíope acaba de ser pai. Recebeu a notícia no aeroporto de Amsterdã, pouco antes de embarcar para o Brasil. Foi uma surpresa por ser prematuro, diz. Como o menino nasceu um mês antes do previsto, ainda está sem nome. Se vencer a corrida, Bikila vai dedicá-la ao filho que pode ser batizado como Silvestre.
No grupo de frente ainda estão os brasileiros Ronaldo da Costa, Vanderlei Cordeiro de Lima, Luís Antônio dos Santos, o mexicano Dionicio Ceron e os quenianos Simon Chemoiyw e Shem Kororia, que estréia na prova. Não conheço o percurso, mas gosto de trajetos acidentados e com subidas, diz. Especialista em provas de 5 mil metros, Kororia é o campeão mundial da meia-maratona, com a marca de 59min56. Tímido, de fala mansa, recusa-se a fazer previsões. Mas manda um recado provocador a Tergat, seu amigo: Se ele está bom, eu não estou ruim.
Prazo final Os interessados em disputar a prova ainda podem se inscrever. São esperados 12 mil participantes. A taxa de inscrição é de R$ 20,00. O campeão do masculino e do feminino ganha um carro e mais R$ 10 mil. No total serão distribuídos R$ 40 mil em prêmios para os primeiros colocados. Outras informações pelos fones (011) 251-1800 e 251-1422.


