Talismã no Café: treinador comandou a vitória do Grêmio Maringá por 3 a 1 sobre a Portuguesa Londrinense, na última quinta-feira
Talismã no Café: treinador comandou a vitória do Grêmio Maringá por 3 a 1 sobre a Portuguesa Londrinense, na última quinta-feira | Foto: Anderson Coelho



É difícil imaginar que algum corintiano não reserve um lugar especial para Tupãzinho, que marcou seu nome na gloriosa história alvinegra como um dos protagonista do primeiro titulo brasileiro do Timão. O gol único daquela final diante do rival São Paulo eternizou o nome do meia como o "Talismã da Fiel".

"Até hoje as pessoas me param na rua, vão ao museu do Corinthians, na calçada da fama, tiram fotos e lembram daquele momento. Aquele gol me abriu as portas no clube", afirmou o ex-jogador, de 48 anos, em entrevista exclusiva a FOLHA.

Atualmente, Tupãzinho é o técnico do Grêmio Maringá, que disputa a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense, e espera ter o mesmo sucesso fora das quatro linhas. "Começamos um trabalho do zero. Nosso projeto de quatro anos é levar o Grêmio de volta para a primeira divisão do Estadual e a uma competição nacional", projetou o ídolo corintiano, que ainda reserva parte da cabeleira que o consagrou na década de 1990. O projeto o anima tanto que o treinador já faz planos de trocar Tupã, no interior paulista, por Maringá. Na última quinta-feira (30), o Grêmio venceu a Portuguesa Londrinense por 3 a 1 no Estádio do Café e subiu para a sétima colocação da Segundona do Paranaense.

Tupãzinho atuou seis anos no Corinthians, entre 1990 a 1996, e além do Brasileiro, ganhou os títulos da Copa do Brasil e do Paulista, ambos em 1995. Jogou ainda no Fluminense, América Mineiro e alguns clubes do interior paulista. Encerrou a carreira em 2004, aos 37 anos, no Boa Esporte. O meia lembra que o apelido famoso surgiu por acaso. "Sempre que eu entrava no decorrer dos jogos, fazia um gol, ajudava o time a vencer e aí a história de talismã pegou e ficou até hoje", relembra o meia-atacante, que participa com frequência de jogos do time máster do Corinthians. "Tem vários daquela geração que jogam como o Guinei, Fabinho, Mauro, Dinei, Viola, Gilmar Fubá e o Neto".

Após a aposentadoria, Tupãzinho foi dono de posto de combustível, foi treinador do Tupã entre 2010 e 2013, levando a equipe a A3 do Paulista, e se aventurou na política. Foi vereador em Tupã entre 2013 e 2016, porém não conseguiu a reeleição e obteve somente 357 votos. "Na verdade nem trabalhei nesta última eleição e mesmo assim não entrei por apenas 18 votos. Mas, cheguei a conclusão que política não é para mim e por isso voltei ao futebol", apontou. Como treinador, o Talismã da Fiel passou ainda pelo Assisense, Vocem e Grêmio Prudente.

Além do Brasileirão de 1990, Tupãzinho foi campeão com o Timão da Copa do Brasil e do Paulista, ambos em 1995
Além do Brasileirão de 1990, Tupãzinho foi campeão com o Timão da Copa do Brasil e do Paulista, ambos em 1995 | Foto: Fábio M. Salles/Estadão Conteúdo



BOLA PRA FRENTE
Trabalhando agora do lado de fora do campo, Tupãzinho reconhece que hoje é mais fácil jogar futebol e que as condições estruturais são muito melhores. "No nosso tempo de Corinthians todo dia treinávamos em um local diferente. Íamos de ônibus para Santo André, para o campo do Nacional. Naquela época você fazia um contrato de três meses e tinha que arrebentar para ficar. Hoje, o jogador faz um acordo de quatro, cinco anos e relaxa. Qualquer menino ganha R$ 30, R$ 40 mil de salário", compara. "Não fiquei rico, mas dá para tocar a vida. Mas, não posso ficar sem trabalhar", acrescentou.

Adepto ao futebol ofensivo, o treinador vê com bons olhos a volta dos pontas ou atacantes de beiradas, como preferem se referir os treinadores brasileiros, mas reconhece a dificuldade em trabalhar com clubes pequenos e de orçamento baixo. "Gosto de jogar no 3-6-1, 4-1-4-1, com zagueiros que sabem jogar, com laterais que apoiam e com atacantes de lado. Mas, tudo depende do que você tem em mãos e das peças que o clube pode trazer", comentou.

Tupãzinho acredita que o trabalho realizado por Tite no Corinthians e toda a estrutura que o alvinegro oferece foram fundamentais para a atual "corintianização" da seleção brasileira. Além de Tite, vários integrantes da comissão técnica do Brasil trabalharam no clube e muitos jogadores convocados também tiverem passagens recentes pelo Timão.

"Tive vários contatos com o Tite no Corinthians e ele é um grande cara, como pessoa e profissional. Ele mudou a cabeça dos jogadores da seleção e foi inteligente para trazer todos para o seu lado", apontou.

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