Sertanópolis - Reis, rainhas, bispos, cavalos, torres e peões. Dispostas no contrastante preto e branco do tabuleiro, compõem as 32 peças que simulam uma batalha entre dois exércitos e dão vida à imaginação no universo enxadrístico. Considerado um esporte de diversas facetas, que trabalha o raciocínio e ajuda a desenvolver a concentração, atenção e paciência, o xadrez funciona como combustível para as alunas da professora de educação física Vera Pissinatti, de Sertanópolis.
Tudo começou quando Any Caroline Ferreira, Ana Caroline Bavati e Marciana Patrícia Faquini ainda cursavam a sexta série do ensino fundamental, na Escola Estadual Monteiro Lobato. Em 2004, por meio do projeto da professora Vera, elas conheceram e se apaixonaram pelo xadrez. Hoje, já colecionam prêmios entre torneios nacionais e estaduais como os jogos colegiais e da juventude.
De acordo com Any, jogar xadrez envolve muito sobre concentração e paciência, exercitando o raciocínio e ajudando na hora de resolver problemas, fazer contas ou até ler um livro de história. ''Eu já gostava muito de matemática, mas com o xadrez percebi que as coisas se juntaram'', constata a garota de 17 anos, que foi campeã brasileira e paranaense em 2008.
A educadora afirma que a possibilidade de disputar campeonatos serve como fonte de experiências. A enxadrista Ana Bavati destaca os avanços que percebeu quando o assunto é lidar com o equilíbrio psicológico, devido ao contato constante com situações de vitória e derrota. Já Marciana entende que as disputas geram situações muitos parecidas com as que a vida reserva. ''Em alguns momentos você está bem e em outros mal. Por isso é fundamental saber lidar com os altos e baixos'', analisa.
Com 25 anos de magistério, Vera ''se encantou'' pelo xadrez no último ano da faculdade e afirma que sabia ''pouquíssimo'' sobre xadrez. Quando passou a dar aulas, o diretor da época incentivou a criação de projetos para ministrar a atividade durante as aulas de educação física a partir do ano 2000.
Em 2005, em meio à empolgação de poder ensinar o xadrez nas aulas, observou algumas alunas demonstravam dedicação e talento que lhe chamava atenção. Sem nunca ter participado de nenhuma competição, resolveu investir mais no projeto e passou a levá-las para disputar os Jogos Colegiais (dos quais acumulam em grupo dois títulos de campeãs) e da Juventude.
''Quando chegamos lá, fiquei surpresa porque elas se destacavam no meio de jogadores de Londrina, Rolândia e outras cidades com tradição no xadrez e ficaram em primeiro lugar'', ressalta. Recentemente, Sertanópolis ficou com o vice-campeonato dos Jogos da Juventude, realizado em Curitiba, neste mês de julho, marcando o mesmo de número de pontos mas perdendo nos critérios de desempate para Paranavaí.
Segundo a professora, os concorrentes de Paranavaí possuem um ''fabuloso projeto de xadrez'', uma vez que todas as escolas particulares e públicas começam a ensinar o jogo desde a pré-escola. ''Eles levam um ônibus com 32 enxadristas para os campeonatos. Tem atletas de todas as categorias, mas pode perguntar que vão dizer que o pessoal de Sertanópolis dá trabalho'', ressalta orgulhosa.
Para o futuro, Vera espera que os desdobramentos do trabalho com xadrez ganhem contornos que ultrapassem parecidos com os praticados em Paranavaí. Após procurar lideranças políticas da cidade, conseguiu encampar um projeto para criar um clube de xadrez em Sertanópolis. ''Um pessoal já compareceu na escola e estudou as condições para construir uma sala para o clube. Ainda é projeto, mas eu acredito que logo teremos um espaço só para o xadrez'', aposta.

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