As principais estrelas do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia estão apreensivas em relação aos critérios que definirão os representantes brasileiros nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. A própria Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) admite o desconforto que a indefinição vem despertando nos atletas, mas prefere estudar com cautela a melhor forma de escolher as duplas duas masculinas e duas femininas.
Segundo o coordenador de vôlei de praia da CBV, Marcelo Wangler, nas duas últimas Olimpíadas (Sydney e Atlanta), os critérios obedeciam posições do ranking do Circuito Mundial levava-se em consideração os oito melhores resultados na temporada. ''O Brasil não tinha vaga garantida nas Olímpiadas, quem tinha eram as duplas melhor posicionadas no ranking'', explicou o dirigente.
Wangler disse que a CBV recebeu no último mês um comunicado do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) informando que o sistema havia mudado. A partir da Grécia, as próprias confederações serão responsáveis em definir quem representará cada país nas Olimpíadas. ''Essa informação é muito recente, estamos conversando com atletas e técnicos antes de chegar a um critério definitivo. Não queremos nos precipitar, a intenção da CBV e chegar aum critério mais justo para todo mundo'', disse Wangler ontem à Folha, durante a etapa londrinense do circuito. Segundo o dirigente, a CBV não estabeleceu prazo para chegar num consenso com os atletas.
A dupla Adriana Behar e Shelda, medalha de prata em Sydney são 692 vitórias e 93 títulos em sete anos de parceria tem como prioridade ganhar a vaga para Atenas. A carioca Behar, 34 anos, admite que desconhece os caminhos que podem levá-la até as quadras gregas. ''É uma incógnita. Ninguém sabe como vai ser a classificação. Então fica difícil a gente planejar e fazer um cronograma durante o ano'', disse.
O paranaense Emanuel, 29 anos, tetracampeão mundial e brasileiro, parceiro do baiano Ricardo, também não esconde sua insatisfação. ''Essa demora na definição prejudica muito nosso planejamento durante o ano, principalmente no que se refere à preparação física. No vôlei de praia, a gente tem que estar sempre em atividade e bem condicionado'', ponderou.

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