Estrela de Daniel Alves brilha na África
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
Luiz Antônio Prósperie Silvio Barsetti<br> Agência Estado 
Johannesburgo - Os jogadores do Brasil se reuniram no centro do campo, após o apito final, e aos abraços e pulos comemoraram como se fossem campeões. A poucos metros dali, os sul-africanos formaram uma roda e rezaram. Quem deveria recorrer às orações era Dunga. Difícil ver um jogo em que a seleção não joga nada e no final sai com a vitória. Diante da África do Sul, ontem, no Ellis Park, em Johannesburgo, foi assim. Venceu por 1 a 0 e se classificou para a final da Copa das Confederações contra os Estados Unidos, no próximo domingo.
Deu dó dos jogadores de Joel Santana. Eles acreditaram até o final, mas não deu. Antes de o jogo começar, os sul-africanos cantaram o hino nacional com forte emoção. Prenúncio de uma noite inimaginável no inverno gelado de Johannesburgo. Havia uma atmosfera de otimismo. ''Sim, nós podemos''. E ainda a voz única das vuvuzelas.
Senhor da razão, o Brasil não pensou que poderia ter sérias dificuldades no primeiro tempo. O gol viria da forma mais natural possível. Afinal de contas, de um lado estavam os pentacampeões e do outro, os aprendizes. Quando a bola rolou, o quadro se inverteu. Os sul-africanos não se intimidaram. Nem entraram em desespero. Sob a régia do brasileiro Joel Santana, de muita quilometragem no futebol, aquele que diz que não tem um currículo e sim um testamento, o time da África do Sul se impôs.
Com toques curtinhos, sempre triangulares, eles envolveram a seleção brasileira. Não atacaram como uma manada. Foram de mansinho, medindo os passos, quase em silêncio, como os leopardos na hora do bote na presa. E por duas ocasiões quase marcaram com Pienaar. Chutes que assustaram Julio Cesar e estragaram um pouco a cara de paisagem de Dunga à beira do campo.
O treinador do Brasil em nenhum momento reorganizou seu time. Gilberto Silva e Felipe Melo estavam perdidos, ilhados pelos sul-africanos. Tão perdidos que, por pelo menos três vezes, Lúcio chamou a atenção de Gilberto. Eles discutiram sério.
Outro problema grave da seleção brasileira: não encaixou um mísero contra-ataque. Joel anulou a saída de bola do time de Dunga com uma marcação exemplar.
No segundo tempo, tudo se repetiu. Os anfitriões envolveram os brasileiros, mas não foram agudos na hora de chegar ao gol. A seleção, sem saída, esperava por um milagre. Aconteceu, aos 42 minutos. Daniel Alves, que havia entrado improvisado na lateral esquerda na vaga de André Santos, aos 36, cobrou a falta sofrida por Ramires e fez o gol da vitória. Um castigo para os sul-africanos. O Brasil cumpria com a sua obrigação.
No próximo domingo, às 15h30 (de Brasília), novamente em Johannesburgo, o Brasil joga pela quarta vez uma decisão de Copa das Confederações. Já ganhou duas (1997, contra a Austrália, e 2005, contra a Argentina) e perdeu para o anfitrião México, em 1999. Os Estados Unidos chegam a uma inédita final na competição - as melhores colocações foram os terceiros lugares em 1992 e 1999.
Mais cedo, às 11 horas, em Rustenburgo, África do Sul e a antes favorita Espanha duelam pelo terceiro lugar. As duas seleções se enfrentaram na fase de classificação e os espanhóis se deram melhor com a vitória por 2 a 0.


