Os jogadores da Seleção Brasileira que atuam na Europa se mostraram desolados com o fato de terem praticamente perdido as suas férias de meio do ano. A temporada européia terminou na semana retrasada, quando começaria a folga dos atletas, mas as Eliminatórias para a Copa-2002 os forçaram a abortar qualquer plano de descanso ou viagem.
Esgotados fisicamente, os ‘‘europeus’’ da seleção – maioria no time titular – atuaram domingo na vitória por 1 a 0 sobre o Peru, em Lima, e terão duas semanas livres até a preparação para o jogo contra o Uruguai, no dia 28, no Maracanã.
Só que, segundo os próprios, nem esses dias podem ser considerados folgas. ‘‘É claro que a gente sente um pouco, porque vamos descansar até o dia 18, só que até lá temos que estar treinando em particular, porque você tem que fazer alguma coisa para não chegar zerado na apresentação, senão não dá para você se preparar bem’’, afirmou o meia-atacante Rivaldo.
Apesar do lamento, o que chama a atenção em Rivaldo e na maior parte dos ‘‘europeus’’ é a resignação em relação ao fato. ‘‘Daqui a dez anos vou ter tempo pra caramba para descansar. Para mim é muito gratificante perder as férias pela seleção’’, disse o volante Emerson, vendido pelo Bayer Leverkusen à Roma.
‘‘Qualquer jogador gostaria de ter férias, mas eu faço qualquer sacrifício para jogar na seleção’’, endossou o próprio Rivaldo.
‘‘Férias tem que deixar para quando parar de jogar, porque hoje não dá para pensar nisso. Quando vimos a tabela das eliminatórias, já sabíamos que ia ser difícil ter férias’’, completou o meia Zé Roberto, do Bayer Leverkusen.
A preocupação de Rivaldo quanto à necessidade de uma preparação particular durante as folgas é em parte fruto de um ‘‘puxão de orelhas’’ dado pela comissão técnica após o episódio do aumento de peso de Ronaldinho, antes do jogo contra o Equador.
Na ocasião, o preparador físico Antônio Mello disse que alguns jogadores haviam se apresentado fora das condições adequadas. Mello e o fisiologista Renato Lotufo passaram a cobrar mais disciplina dos ‘‘convocáveis’’ e a buscar um contato maior com as comissões técnicas dos clubes. De acordo com Mello e Lotufo, o alerta surtiu efeito. Segundo eles, os atletas convocados para os amistosos no Reino Unido e para o jogo contra o Peru se apresentaram em condições bem melhores e demonstraram maior preocupação com o preparo físico.

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