Estrada do Rio Manso
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quarta-feira, 07 de março de 2001
Andrés Baró De Curitiba 
Animal, a descida é animal! gritava Luis Felipe enquanto guiava sua bike ladeira abaixo com os amigos no trecho mais radical dos 50 quilômetros da Estrada do Rio Manso. A velocidade sobre o sinuoso caminho, repleto de pedras e buracos, tornava extremamente árdua a tarefa de controlar a bicicleta. Já estamos dez minutos sem pedalar!, admirava-se Clésio, ao lado de Luis, aproveitando o embalo daquele downhill (descida) sem fim.
O passeio desta vez percorreu uma estrada de terra que liga as cidades catarinenses de Campo Alegre e Jaraguá do Sul. Trinta e oito ciclistas curitibanos aderiram à aventura e se deliciaram com o fantástico cenário da Serra de Corupá. A cada pedalada, os bikers se surpreendiam com borboletas azuis, lagartos, alguns até viram uma família de macacos, entre a exuberante mata verde que engolia a estrada. Bromélias e aleluias árvores de intensas flores amarelas contrastavam com a densa vegetação. Em vários pontos, o grupo se recompunha com refrescantes banhos no rio, que ora corria de um lado, ora do outro da estrada. As águas límpidas e pequenas corredeiras do Rio Manso davam vida e energia aos ciclistas, num contato puro e direto com este recanto ecológico.
Logo na partida, às 10h45, a ladeira de terra que afrontava os ciclistas morro acima prometia: Encarem-me! A descida que vem depois vale o esforço... Foram 8 Km de aquecimento sentido por muitos. O dia nublado, ideal para pedalar, logo cedeu para um implacável sol, abrindo um lindo dia azul. Roberto Coelho, organizador do evento suava na magrela: Esse sol poderia esperar um pouco..., reclamava, referindo-se ao trecho menos penoso de descida. Já nesta primeira subida, um pelotão de elite se distanciou, o qual só voltamos a encontrar no longínquo ponto de chegada, no centro de Jaraguá do Sul.
Acidentes Acontecem
Após o trecho inicial de subida, a paisagem ficou mais aberta. Com tênues ladeiras, sobe-desce, o grupo pode apreciar um típico ambiente rural: campos a perder de vista com rebanhos de gado pastando. O primeiro trecho forte de descida foi perigoso, devido a grande quantidade de pedras soltas. Dois participantes se desequilibraram e foram direto ao encontro delas. Felizmente os carros de apoio vinham equipados com kits de primeiros socorros, muito bem aproveitados pela colega cicloturista farmacêutica, Carla Matsue, em auxílio aos desafortunados.
A integração e união do grupo neste tipo de passeio é contagioso, parece que o lado humano das pessoas sobressai quando estão em contato com a natureza, valorizando seu tempo livre. Outro acidente, mais sério aconteceu após a parada para o lanche, na descida de 8 Km, finais da serra. O executivo Álvaro Amaral levou uma fechada de um carro, que esporadicamente apareciam, e acabou se ferindo numa vala na beira da estrada. No tombo, chegou a trincar o ombro e, após o atendimento hospitalar, soube que terá que ficar de molho algumas semanas. Mas Álvaro adverte: No próximo passeio estarei lá, desta vez equipado com segurança.
O que vale no cicloturismo é a infra-estrutura que acompanha a moçada. Além de prestar socorro em caso de acidentes, carros de apoio atendiam o pessoal durante todo trajeto com água, sucos, refrigerantes, barras de cereais e sanduíches naturais. Em caso de problemas com as bikes, o ciclista e mecânico Átila Kreitler Jr estava lá, pedalando com o grupo, pronto para prestar auxílio. O biker Luis Felipe satisfeito com a aventura desabafava no final do dia: O passeio vale cada Real. A organização e o suporte dos carros de apoio dão segurança e tranquilidade tanto ao mais atirado dos ciclistas, como ao pai que leva a família para curtir uma pedalada ecológica de fim-de-semana.
Cicloturismo, opção para todas as tribos
Advogados, designers, engenheiros, farmacêuticos, estudantes, entre outros, conformam os grupos que saem pedalando e descobrindo os encantos da Serra do Mar. Sérgio Riekes, 41, sempre que pode se inscreve e valoriza os novos amigos que conhece em cada viagem. Luis Felipe, 25, advogado, acrescenta que todas as pessoas da cidade deveriam experimentar o passeio pelo menos uma vez na vida, e duvida que não queiram repetir a dose. Gilberto Dantas, 28, técnico e guia turístico se impressionou com a presença da natureza: Sem dúvida esta é uma viagem pela Mata Atlântica. Ä vegetação, o rio, cachoeiras, borboletas... é incrível como tudo aqui está preservado. O pai de família e técnico mecânico Heron Matoso, 45, que inclusive levou sua filha Juliana, 19, atingiu a impressionante marca de 59 Km/h numa das descidas... Sem dúvida, um louco por adrenalina.
Outro depoimento que vale é o do experiente ciclista, e engenheiro civil, Rubens Herrmann, 31. Competidor há vários anos de speed e mountain bike, avalia: O caminho é muito bom, com alto nível técnico. As pedras soltas, buracos e saliências na estrada aumentam muito a dificuldade na decida. As curvas durante o downhill fecham muito, não é um traçado rodoviário normal. E ainda lembra: A adrenalina maior ficava por conta de algumas curvas cheias de pedras e buracos que terminavam em verdadeiros precipícios... Esta é a quarta vez que Rubens desce o Rio Manso, só que como era um passeio, ele revela que não se atirou muito - seu ciclocomputador marcou a máxima de míseros 62 Km/h ...
Recanto Ecológico
A intocada beleza natural da Serra de Corupá encanta os moradores da região já há algum tempo. A estrada do Rio Manso acompanha o rio em quase toda sua extensão. A região é cercada por áreas de proteção ambiental (APA): do Consórcio do Quiriri, do Joinville e a Estação Ecológica do Bracinho. O único ponto desprotegido é a que beira o rio - o nosso roteiro ciclístico. A engenheira sanitarista, Anelise Destefani, da Divsão de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul, desenvolve um projeto para que a Bacia Hidrográfica do Ribeirão Manso se transforme numa Unidade de Conservação, completando assim o chamado corredor faunístico, onde animais, como antas e jaguatirica, espécies ameaçadas de extinção, vivem harmoniosamente neste recanto ainda intocado da Mata Atlântica.
Dados do Ciclocomputador:
- - Distância: 52.1 Km
- - Tempo de pedalada: 3h33m
- - Tempo de toatal do passeio (c/ intervalso incluídos): 6h45m
- - Velocidade máxima: 54 Km/h
- - Velocidade média: 14.6 Km/h
Serviço:
Cicloturismo:
- Onde ficar: Os charmosos chalés Tureck Garten Hotel são a melhor opção da região - Rod. BR 280, Km 82, 2460, Corupá, SC. Reservas pelo fone[0xx47] 375-1482 ou pelo e-mail: [email protected]
- Como ir: Bike Line Cicloturismo organiza passeios de mountain bike em diversos pontos do Paraná e Santa Catarina. Reserve o seu lugar para a próxima aventura pelo site: http://bikeline.cjb.net ou pelos telefones [0xx41] 266-5525 e 365-4946.
- Manutenção das Bikes: Cicles Mania - Av. Anita Garibaldi, 5736 ou ainda pelo telefone: 41 354-4029.


