Revelado pelo Leão do Vale, goleiro se tornou ídolo das torcidas do Londrina e da Chapecoense com defesas decisivas
Revelado pelo Leão do Vale, goleiro se tornou ídolo das torcidas do Londrina e da Chapecoense com defesas decisivas | Foto: Ricardo Chicarelli/01-02-2013



Mesmo desesperada com a tragédia envolvendo o filho Danilo, goleiro da Chapecoense, Alaíde Padilha, que mora em Cianorte, Noroeste do Paraná, atendeu ao telefonema da reportagem durante à tarde de ontem. Ela lamentou as informações desencontradas que chegaram à família, se o filho estaria morto ou vivo. O goleiro de 31 anos foi um dos sobreviventes após a queda do avião na madrugada de terça-feira, mas não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada por volta das 16 horas (de Brasília).
A Cruz Vermelha colombiana, que também trabalha no resgate das vítimas, havia anunciado que o ex-goleiro do Tubarão morreu no hospital, mas mudou a informação horas depois. Para aumentar ainda mais o drama da família, Alaíde explicou que estaria proibida de ir para a Colômbia em busca do filho. "Não vou poder ir para a Colômbia. Estou proibida de ficar perto do meu filho", disse ela. "O clube (Chapecoense) deve disponibilizar um avião do Brasil para a Colômbia para as famílias, mas fiquei sabendo que não poderei entrar no país porque o meu RG (documento de identificação) não foi expedido nos últimos 10 anos", explicou a mãe.
Alaíde disse que as informações chegaram desde as primeiras horas de terça-feira e aumentaram a angustia da família. "Segundo um dos relatórios que recebi de manhã, que seria da Cruz Vermelha, meu filho foi resgatado com vida, mas teria sofrido uma parada cardíaca na sequência. Os paramédicos ainda teriam o reanimado, mas ele não teria resistido", relatou a mãe.
Danilo atuou no Londrina Esporte Clube entre 2011 e 2013, mas iniciou a carreira como profissional na sua cidade natal, no Cianorte Futebol Clube. De acordo com o amigo do atleta e assessor de imprensa do clube, Martins Neto, o goleiro jogou como titular no "Leão do Vale" de 2004 a 2007. "Danilo é natural da nossa região, nasceu em Jussara, cidade vizinha a Cianorte, para onde veio ainda bebê", relembrou. "Sou amigo pessoal da família e estou muito abalado desde a madrugada, quando fiquei sabendo da queda do avião da Chape", contou Neto, que conversou com o atleta na semana passada, quando Danilo participou por telefone do seu programa local, em uma emissora de rádio. Danilo era casado, pai de uma criança de dois anos.
Além do goleirão Danilo, outras vítimas do acidente também passaram pelo Cianorte. "Entre eles o Caio Júnior (técnico), de 2004 a 2005, Neto (zagueiro), de 2008 a 2009, Thiaguinho (meia), em 2015", lembrou o treinador. O zagueiro Neto foi encontrado vivo em meio aos escombros e permanecia internado em um hospital colombiano até o fechamento da edição. Além disso, parte do elenco da Chapecoense ainda tinha vínculo contratual com o clube do Noroeste do Paraná. "Alguns jogadores foram emprestados do Cianorte para o clube catarinense. Como o Gimenez (lateral), Marcelo (zagueiro) e Aílton Canela (atacante). Este último, inclusive, era cotado para compor o elenco do Cianorte no Paranaense de 2017", revelou. As atividades no Cianorte Futebol Clube estão suspensas por tempo indeterminado.

SEPULTAMENTOS
Informações sobre o velório e o sepultamento de jogadores e comissão técnica, vítimas da queda do avião, ainda não serão divulgadas após o translado dos corpos ao Estado. O empresário do técnico Caio Júnior, Marcelo Lipatin, torce para que os corpos sejam liberados até o fim desta semana. "Esperamos a liberação até sexta-feira. Também que o reconhecimento dos corpos, entre outros trâmites, sejam realizados pela Embaixada Brasileira na Colômbia, o que evitaria um desgaste ainda maior dos familiares", observou Lipatin. "Não foi decidido se o velório de Caio Júnior será realizado em Chapecó, com os demais atletas, ou no Paraná. Pelo menos seu sepultamento seria em Curitiba, onde atualmente reside a sua família", esclareceu o empresário do técnico.

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