Estilos diferentes mas o mesmo objetivo
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terça-feira, 04 de setembro de 2001
Agência Estado 
Com uma seleção badalada e em alta, passou a ser diversão dos argentinos observar e comparar os estilos de trabalho de Luiz Felipe Scolari, 52 anos, e de Marcelo Bielsa, 46. Motivos para comparações entre os técnicos das duas seleções não faltam. E as diferenças vão muito além do bigode de Scolari e dos longos cabelos de Bielsa.
Os jornalistas argentinos divertiram-se no calor da Granja Comary, em Teresópolis, durante os treinos da seleção brasileira. Descobriram que Felipão comanda a seleção aos gritos, para que todos ouçam suas ordens, sejam seus comandados ou não.
Bielsa prefere a privacidade do centro de treinamentos da Associação de Futebol Argentino (AFA), em meio a um bosque nas próximidades do aeroporto de Ezeiza, a meia hora de carro do centro da cidade.
O isolamento em Ezeiza é total. Jogadores e técnico só dão entrevista dois dias antes dos jogos e logo após as partidas. Fora isso, ninguém chega perto do time. Para conseguir alguma imagem do treino, fotógrafos e cinegrafistas têm de contar com sorte e lentes potentes à beira da cerca que separa o centro de treinamento, à beira da estrada. ''Estava disposto a pagar até 80 pesos (cerca de R$ 200,00) por um ingresso para ver a seleção argentina jogando. Não consegui e vim assistir ao treino, mas confesso que estou decepcionado porque não consigo ver nada'', afirmava o professor Ivan Leiva, de 25 anos.
Enquanto Felipão povoa o meio-de-campo da seleção brasileira com volantes e prioriza a forte marcação, Bielsa treina obsessivamente jogadas de ataque. Na medida do possível, pede que seus jogadores façam o mínimo possível de faltas. As variações pela direita, com Zanetti e Lopez, e pela esquerda, com Sorín e Gonzalez, são repetidas à exaustão.
O tratamento à imprensa também segue por linhas diferentes. Felipão não mede as palavras e muitas vezes age por impulso, discutindo com jornalistas e até partindo para agressões. Bielsa, apesar do apelido de ''El Loco'' por sua obsessão pelo trabalho, responde a tudo com cordialidade e se desculpa quando não tem uma resposta a dar a alguma questão.


