Estilo shotokan valoriza ética sobre técnica
Além de introduzir com expressividade o karatê em Londrina, Norio Haritani também teve a honra de aprender com seu fundador o estilo mais tradicional do mundo: o shotokan. Ainda no Japão, treinou com Gishin Funakoshi, considerado o pai do karatê moderno, e foi responsável junto com outro mestre, Sagata, por difundir sua linhagem no Brasil.
Seus princípios prezam pelas posições baixas, rotação do quadril e principalmente por privilegiar uma filosofia de vida pacífica e disciplinar. ''Por isso, em todo final de aula os professores da shotokan dão uma lição de vida'', aponta o coordenador da ALK, Luiz da Silveira. Isso faz da troca de vivências ''como forma de passar algo além dos movimentos físicos'' o preceito básico deste estilo.
Outro detalhe importante do shotokan é a precisão e fatalidade dos golpes, que exigem um comportamento ético dos adeptos. ''Como karatê ele trabalha com movimentos mais fortes e mais pesados, o que significa posição baixa e golpes fortes'', argumenta. Segundo Silveira, quem treina sabe que em embates com outro karateca da mesma linha a luta pode resumir-se a um golpe só. ''Se ela falhar, falhou'', completa.
Mas o treinador faz questão de frisar que, em situações limites, como em lutas onde estão em jogo a vida e a morte, a filosofia deve falar mais alto que a busca pela vitória sobre o adversário. ''Na hora, o lutador vai se perguntar porque tirar a vida de alguém? Porque eu preciso perder a minha vida? E deve saber usar todos os argumentos para não chegar a uma fatalidade. Isso é o mais importante para o karateca do nosso estilo'', frisa.
Essa preocupação em aliar técnica com filosofia já rendeu academias co-irmãs em Bandeirantes, Cornélio Procópio, Jataizinho, Santa Mariana, Sertanópolis e Paraíso do Norte, no Paraná, e mais uma em Brasília. ''Nossas filiais seguem o mesmo padrão de treinamento, que se difere das outras academias, porque não treinamos para campeonatos; treinamos o karatê como arte marcial e essência de vida'', destaca.
Sobre os resultados desta proposta, Silveira ilustra o caso de uma atleta de 74 anos, que sofria de arterosclerose. Quando ela chegou à academia, mal conseguia subir as escadas. Segundo conta, o médico já havia desacreditado a paciente, que em seis meses provavelmente perderia seus movimentos.
''Um dia ela veio na academia e perguntou se podia fazer karatê. Em seis meses de treinamentos, ela subia e descia as escadas correndo, sem brincadeiras, a saúde dela melhorou. Ela costuma dizer que rejuvenesceu 20 anos'', argumenta Silveira, lembrando que foi ela quem fez a abertura do Imim 100, no ano passado. (R.O.)





