A estréia de Luiz Felipe Scolari na Seleção Brasileira pode marcar o início da arrancada do Brasil rumo à Copa do Mundo de 2002, deixando para trás a desconfiança e o descrédito a que se sujeitou o futebol brasileiro nos últimos três anos. Uma vitória contra o Uruguai, hoje, às 16 horas, deixa a seleção em situação confortável na tabela das eliminatórias sul-americanas.
O Brasil está em quarto lugar, com 21 pontos, e o Uruguai, em sexto, com 18. Mas o primeiro jogo da seleção sob comando de Scolari pode ser também o prolongamento da crise que culminou com a demissão, em menos de oito meses, de Wanderley Luxemburgo e Emerson Leão. Uma derrota deixaria a equipe em situação delicada, com a classificação bastante ameaçada.
Um empate seria recebido pelo torcedor como um resultado ruim, pouco ou nada interessante. Scolari treinou 12 dias o grupo em Teresópolis, região serrana do Rio, quase sempre sem a presença de todos os atletas. Insistiu nas variações táticas, optando pelo 3-5-2 ou 4-4-2. Ele escalou Roque Júnior como volante, na vaga que seria de Mauro Silva, afastado por contusão. Mas o atleta do Milan pode atuar na zaga em alguns momentos, dependendo das circunstâncias do jogo.
Juninho Paulista no meio é a certeza de que o Brasil não vai ser defensivo. Ele atuará ao lado de um motivado Rivaldo, ávido por uma grande apresentação para pôr fim às críticas constantes de que não repete na seleção o desempenho no Barcelona. ‘‘Existe uma confiança muito grande de que o Brasil, enfim, vai voltar às grandes apresentações’’, disse o craque. No ataque, Romário parece ter recuperado a forma depois de uma lesão muscular que o deixou mais de 30 dias sem jogar. Com o prestígio, volta a ser capitão da equipe, após um período longo em que Cafu ocupou o posto com Luxemburgo e, depois, o transferiu para Leomar, quando Leão era o treinador.
O companheiro de Romário será Elber, em grande fase no futebol alemão. O lateral Roberto Carlos, com liberdade para atacar, mostrou um discurso idêntico ao de Rivaldo. ‘‘Chegou a hora de o Brasil voltar a dar espetáculo.’’ Ele definiu bem o ‘‘espírito’’ de equipe que Scolari trouxe à seleção. ‘‘Ele quer um time brigador, que sue o tempo todo; vai ser assim.’’

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