Johannesburgo - Dunga estreou como técnico em Oslo, num amistoso contra a Noruega (1 a 1), em 16 de agosto de 2006. Por três dias, naquele mês, a seleção brasileira se concentrou no Holmenkollen Park, um hotel luxuoso numa área elevada da capital escandinava. Foi ali, a poucos metros de uma arena de esqui, o primeiro contato de Dunga com os convocados para o jogo que marcaria uma nova fase da equipe - recém-eliminada do Mundial da Alemanha. Já naquele início de convívio com atletas, entre os quais Lúcio e Robinho, Dunga exibia seu estilo de trabalho. Queria formar um grupo coeso, solidário e eficiente, com o qual deveria seguir até a Copa da África do Sul.
O técnico sabia de excessos cometidos por atletas nas folgas durante a competição na Alemanha. Estava disposto a evitar novos incidentes e contava, evidentemente, com apoio total da cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para mudar os rumos da seleção. No frio intenso de Oslo, aos poucos os jogadores começavam a lidar com um técnico disciplinador e controlador, e adepto de algumas manias. Lá mesmo, Dunga repetiu um gesto pouco comum em concentração de equipes de futebol: na hora das refeições, ele deixava seu lugar para verificar o prato de cada um dos atletas. Alguns deles estranharam aquela atitude, mas ninguém a contestou.
Ainda em Oslo, Dunga já falava deliberadamente, entre seus colegas de comissão técnica, que Ronaldo, hoje atacante do Corinthians, não estava nos planos da seleção. O maior artilheiro do Brasil em Mundiais jamais foi convocado desde então.
Tudo que envolveu o jogo com a Noruega pode ajudar a desvendar o que se passou nesse período de quatro anos, até o desfecho precoce do projeto 2010 da CBF e de Dunga. Para o amistoso, o técnico não convocou Ronaldinho Gaúcho e Kaká - uma represália ao fiasco do ''quarteto mágico'' da Copa de 2006 - grupo formado também por Ronaldo e Adriano. Ao preterir Kaká, o técnico deflagrou uma rusga silenciosa com o meia-atacante que durou quase dois anos. Depois, ambos afinaram o discurso e priorizaram o mesmo objetivo.
Em setembro daquele ano, Dunga obteve sua primeira grande vitória como treinador: 3 a 0 sobre a Argentina, num amistoso, em Londres. Começava a deixar para trás certo ceticismo de boa parte dos torcedores brasileiros. Na sequência, alcançou resultados expressivos que consolidavam sua posição. A conquista da Copa América, em 2007, lhe deu mais tranquilidade e respaldo da CBF, até porque o adversário do Brasil na decisão foi o seu mais tradicional rival: a Argentina, superada de novo por 3 a 0.

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