Pelo menos três pontos do Estatuto do Torcedor foram desrespeitados pela Federação Paranaense de Futebol (FPF) nos primeiros quatro meses deste ano. O mais grave aconteceu durante o Campeonato Paranaense.
De acordo com o Estatuto, a organizadora do evento, no caso a FPF, é responsável pelo pagamento das despesas com arbitragens, médicos e ambulânica nos jogos de competições que ela organiza.
''A remuneração do árbitro e de seus auxiliares será de responsabilidade da entidade de administração do desporto ou da liga organizadora do evento esportivo (...) É dever da entidade responsável pela organização da competição: contratar seguro de acidentes pessoais, tendo como beneficiário o torcedor portador de ingresso, válido a partir do momento em que ingressar no estádio; disponibilizar um médico e dois enfermeiros-padrão para cada dez mil torcedores presentes à partida; disponibilizar uma ambulância para cada dez mil torcedores presentes à partida'', orienta o documento.
A ordem, porém, não foi cumprida durante o Paranaense. Os clubes tiveram as despesas descontadas em seus borderôs. Segundo o Departamento de Contabilidade do Londrina Esporte Clube (LEC), cerca de 25% da renda bruta eram usados para cobrir custos que eram de responsabilidade da FPF. A entidade cumpre a determinação de publicar em site da Internet os borderôs das partidas, porém os documentos são ilegíveis. Não dá para identificar a discriminação do que foi descontado. Os clubes chegam até a pagar uma taxa de R$ 50 descontada no borderô, destinada ao site em que a FPF faz as suas publicações.
Outro ponto desrespeitado é o do calendário. O Estatuto diz: ''É assegurado ao torcedor: Art. 8º - As competições de atletas profissionais de que participem entidades integrantes da organização desportiva do País deverão ser promovidas de acordo com calendário anual de eventos oficiais que (...) garanta às entidades de prática desportiva participação em competições durante pelo menos dez meses do ano''. Exceto Paraná Clube, Atlético e Coritiba, que estão na Série A do Campeonato Brasileiro, todos os outros clubes não têm atividade durante os dez meses previstos. Alguns ainda disputam a Série C, o restante possui apenas os três meses de Paranaense no calendário. Depois, fecham as portas até o ano seguinte. Algumas federações estaduais criaram competições para preencher o calendário dos clubes.
Mais um descumprimento aconteceu na divulgação do regulamento e da tabela da Série Prata do Campeonato Paranaense. O artigo nono do capítulo terceiro do Estatuto diz que: ''É direito do torcedor que o regulamento, as tabelas da competição e o nome do Ouvidor da competição sejam divulgados até 60 dias antes de seu início, na forma do parágrafo único do art. 5º''. A Segundona começará dia 22 de maio e a tabela foi divulgada na última segunda-feira, apenas 35 dias antes do início. O regulamento ainda não foi publicado.
Desde o dia 15 a folha tentou ouvir a FPF, mas não obteve êxito. O primeiro contato foi com o diretor administrativo, Joelson Pizaia. O dirigente pediu que a reportagem entrasse em contato com o advogado da entidade, Fernando Zenato Negrele. Ele, por sua vez, disse que não havia nada de errado, mas que não tinha em mãos o Estatuto para confirmar e que era preciso que a Folha enviasse um requerimento, em papel timbrado, diretamente ao presidente da FPF, Onaireves Nilo Rolim de Moura, que responderia as questões também através de ofício em papel timbrado. A assessoria de imprensa da entidade confirmou o recebimento do documento, mas a resposta não foi enviada à Folha.

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