Estatuto do Desporto gera apreensão
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sexta-feira, 08 de novembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Surpresos com a possibilidade de perder o apoio financeiro das empresas estatais e apreensivos com o futuro dos esportes olímpicos. Assim, dirigentes esportivos reagiram à aprovação do Estatuto do Desporto na comissão especial da Câmara dos Deputados. Uma das novidades do projeto é a limitação de recursos públicos para esportes de alto rendimento - o dinheiro seria, prioritariamente, destinado ao esporte educacional. Como sobreviveriam atletismo, natação, vôlei, tênis, vela, remo, canoagem e categorias do automobilismo sem o apoio da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos Correios?
O projeto deve ir à votação em meados de 2003 e, para o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo, o novo governo precisará ''ter o bom senso'' de separar o futebol das modalidades olímpicas. ''O futebol cria suas próprias receitas, não precisa do dinheiro público. Mas os esportes olímpicos... Se o auxílio desaparecer, não manterão o nível alcançado.''
Para os projetos de 2003, inclusive a presença no Pan-Americano de São Domingos, o atletismo depende da renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal. Gesta frisa que o atletismo é um poderoso instrumento de ''inserção social'', que se enquadra na política do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.
''Estamos petrificados'', afirmou o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ari Graça. O vôlei o contrato com o Banco do Brasil segue até 2004 seria muito prejudicado se perdesse a parceria com a estatal, de 60% de um orçamento de R$ 22 milhões em 2002. ''Nunca imaginaria que, após um título Mundial, poderia perder o apoio e interromper um trabalho que dá emprego a 200 mil pessoas, caso do vôlei e seus eventos.''
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, informou que aguarda o projeto do PT para o esporte. Nuzman esteve ontem em Brasília para uma reunião com o superintendente Nacional das Loterias, Marco Antônio Lopes, na sede da Caixa 2% dos prêmios das loterias são destinados aos esportes olímpicos e paraolímpicos.
O presidente do Flamengo, Hélio Ferraz, acha prematuro falar sobre o tema. ''Acredito que o presidente não vá abandonar, agora, sua posição de diálogo. Vai conversar com os principais clubes brasileiros.'' O Flamengo recebe, por mês, R$ 600 mil, vindos da Petrobras e da BR Distribuidora.


