Fernando Tupan - De Curitiba
Rogério Fischer - De Londrina
O Campeonato Paranaense do ano que vem será uma disputa entre espertos. É isso que se pode deduzir da fórmula aprovada no arbitral realizado anteontem à noite na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF), em Curitiba. A fórmula contempla as propostas do Clube dos 9, que batalhou durante toda a reunião para que fosse aprovado um campeonato em que um time do interior, obrigatoriamente, estivesse na decisão.
A fórmula do Paranaense – que começa no dia 27 de fevereiro e termina em 16 de julho – é um ‘primor’ de inteligência e bom-senso. A competição será disputada por 12 equipes em dois turnos, por pontos corridos. Classificam-se os oito melhores; os dois piores serão rebaixados à Série A-2.
A coisa complica a partir da segunda fase. Em vez do critério normal – e mais justo – de confrontar o primeiro colocado com o oitavo, o segundo com o sétimo, e assim por diante, como acontece, por exemplo, com os ‘mata-mata’ do atual Brasileirão, os cartolas do Paraná ‘conseguiram’ elaborar um regulamento bastante criativo: no Paranaense, o 1º colocado da fase de classificação enfrentará o 2º (será o jogo A); o 3º pegará o 4º (B); o 5º jogará com o 6º (C); e o 7º se confrontará com o 8º (jogo D). Na fase seguinte, o vencedor do jogo A enfrentará o do B (E); e o do C pega o do D (F). A final será realizada em duas partidas entre ‘E’ x ‘F’.
A intenção do Clube dos 9 foi clara: no entendimento dos dirigentes, os três clubes da capital – Coritiba, Atlético e Paraná – deverão, por sua força, terminar a fase de classificação nos três primeiros lugares. Invertendo a ordem natural dos cruzamentos na segunda fase, o trio-de-ferro curitibano chegaria à decisão com, no máximo, um time. E o interior, com outro.
Onde entra, então, o jogo da esperteza?
É que, paralelamente ao campeonato regional, Atlético, Coritiba e Paraná vão promover um torneio reunindo equipes de ‘regiões representativas’ do Estado (Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Londrina), bancado pela televisão – no caso, a Rede Paranaense, afiliada da Globo. Com isso, deixam de lado os jogos deficitários. E, para não terminar nas primeiras colocações do Paranaense, mandarão a campo equipes formadas por reservas e juniores – os conhecidos expressinhos. Assim, ganham dinheiro da TV no torneio paralelo e, no Estadual, tentarão ficar em posições que não coloquem um e outro em confronto na fase decisiva. Dá pra imaginar o esforço que alguns clubes farão para não ganhar pontos que os levem a colocações na tabela que não interessam a eles. Empatar ou perder, de repente, será mais interessante do que ganhar.
O presidente do Clube dos 9, Antônio Mikulis, acredita que a nova fórmula do Regional levará os torcedores do interior aos estádios. ‘‘Essa fórmula dará mais motivação ao campeonato. Os times da capital irão se enfrentar logo nas primeiras fases, possibilitando que pelo menos dois times do interior cheguem às finais’’, diz ele.
Jacob Mehl, presidente do Coritiba, disse: ‘‘A TV não se interessa pela proposta do Clube dos 9. Nós precisamos organizar um campeonato de curta duração, de apenas um turno.’’
Será, de fato, um campeonato ‘maravilhoso’.

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