São Paulo - Problemas com tribunais de contas, alto risco de vários se tornarem ''elefantes brancos'' e falhas de projeto. Esses são alguns dos problemas dos estádios que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014, de acordo com estudo feito pelo Sindicato Nacional de Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), divulgado ontem. O relatório também alerta para o atraso em algumas construções.
As obras que estão sendo ou foram alvo de investigação por parte dos tribunais de contas estaduais ou pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por suspeitas de irregularidades são as do Rio de Janeiro (Maracanã), Brasília (Mané Garrincha), Fortaleza (Castelão), Cuiabá (Verdão) e Manaus (Arena da Amazônia). Deles, três - os de Brasília, Cuiabá e Manaus -, além dos de Natal (Arena das Dunas) e Recife (Cidade da Copa) têm tudo para se transformarem em ''elefantes brancos'' após o Mundial. O estudo aponta um problema óbvio para o risco da ociosidade dessas arenas: o futebol local não atrai grande público.
A exceção é Recife. O Estado tem excelente demanda de público, mas o problema é que Santa Cruz, Sport e Náutico, os três principais clubes, têm estádios próprios e não se mostram dispostos a abrir mão deles para jogar na Cidade da Copa, cujas obras devem começar ainda este mês.
O adiamento do início das obras do estádio do Corinthians também é destacado pelo Sinaenco. A previsão, agora, é para o mês de abril, uma vez que há questões burocráticas a serem resolvidas, bem como permanece a indefinição sobre o financiamento sobre o cerca de R$ 200 milhões necessários para ampliar a arena de 48 para 65 mil pessoas, condição básica para que o local possa receber a partida de abertura da competição.
As obras em Natal também não começaram. Ontem foi aberta a concorrência para a parceira público-privada que viabilizará a Arena das Dunas. A construtora OAS foi a única a apresentar proposta. Pela licitação, a obra terá um valor inicial de R$ 400 milhões e 30 meses para ser concluída.
Outro problema é a cobertura do Maracanã, que precisa ser refeita segundo o Comitê Organizador Local da Copa. Isso representaria acréscimo de pelo menos R$ 200 milhões no preço da obra, atualmente orçada em R$ 705 milhões - foram feitos modificações no projeto para adequá-lo às exigências da Fifa. O TCU havia alertado recentemente para o estouro no orçamento inicial de praticamente todos os 12 estádios envolvidos com a Copa do Mundo.
Financiamento
Há, também, morosidade no processo de obtenção de crédito. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estabeleceu linha de crédito de R$ 400 milhões por estádio, mas até agora apenas cinco cidades conseguiram aprovar seus projetos, duas parcialmente.
Cuiabá (R$ 393 milhões), Fortaleza (R$ 351,5 milhões) e Salvador (R$ 323,6 milhões) tiveram recursos liberados, bem como Rio de Janeiro (20% dos recursos, por recomendação do TCU) e Manaus (R$ 15 milhões, para a contratação do projeto executivo, de acordo com solicitação do Ministério Público estadual e do federal).
No caso de Manaus, o ministro do Esporte, Orlando Silva, prometeu às autoridades do Estado, no início da semana, pedir ao BNDES a liberação rápida de R$ 100 milhões para agilizar a obra da Arena da Amazônia.

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