Johannesburgo - A África do Sul gastou R$ 3,8 bilhões na construção e reforma de 10 estádios para a Copa do Mundo e agora não sabe o que fazer com eles. A tendência é que se transformem em ''elefantes brancos'', pois mesmo aqueles que poderiam ter uma aplicação multiuso - com esportes como rúgbi e críquete e shows musicais - não devem receber interessados em utilizá-los. Arenas belíssimas e bem localizadas como o Green Point, em Durban, e o Moses Mabhida, em Durban, correm o risco de virar monumentos ao desperdício de dinheiro público.
Os problemas são vários. Há cidades como Nelspruit que sequer tem time de futebol na Primeira Divisão sul-africana. Port Elizabeth, onde foi erguido o imponente Nelson Mandela Bay, tem equipe, a Bay United, que sempre levou pouco público aos estádios.
Em Durban encontra-se a arena apontada por muitos como a mais bela do Mundial, o Moses Mabhida. Bem localizado, com amplo espaço para estacionamento, confortável para o público, também pode receber o rúgbi, uma vez que os times do futebol local (Amazulu, Golden Arrows, Thanda Royal e Maritzburg) já têm onde jogar. Mas enfrenta uma ''concorrência desleal'': bem ao lado do Moses Mabhida - é só atravessar a rua -, há o Absa Stadium, dos Sharks, clube de rúgbi bastante popular na região. Comenta-se até que o plano inicial dos organizadores da Copa era servir-se do estádio dos Sharks, o que não foi possível porque haveria conflito com os patrocinadores da Fifa.
''Se você constrói uma estrada, ela não some depois da Copa. O importante é que o torneio uniu os sul-africanos de uma maneira pouca vezes vista'', justificou o ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan.

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