São Paulo - Entre as diversas mudanças que a Copa do Mundo de 2014 trará ao esporte brasileiro, destaca-se a forma de administrar os modernos estádios que estão sendo construídos para a competição. É consenso entre os novos gestores que o foco não poderá mais ser exclusivamente o futebol. As arenas multiuso só se tornarão rentáveis se a utilização de cada espaço for maximizada.
É o caso, por exemplo, da Arena Fonte Nova, em Salvador. A administração do local ficará sob responsabilidade por 35 anos de uma concessionária formada pelas empreiteiras Odebrecht e OAS. O modelo que servirá de inspiração para os baianos é o da Amsterdam Arena. ''A ideia é que, assim como na Holanda, cada pedacinho do estádio seja utilizado para eventos, reuniões, lojas e restaurantes'', disse Lino Cardoso, diretor de Negócios da concessionária. ''Hoje Salvador é carente de espaços como esse. Para fazer eventos de 200 pessoas ou 2 mil pessoas, você encontra dificuldades. Nossa meta é assegurar 365 dias por ano de movimento na arena''.
Já foi firmado um contrato para que o Bahia mande seus jogos no local - atualmente o time atua no estádio de Pituaçu. E, baseada no modelo holandês, a expectativa da concessionária é que o Bahia aumente a sua média de público na nova casa. ''O Ajax tinha um estádio para 35 mil pessoas e média de 18 mil por jogo. Com a Amsterdam Arena, onde cabem 52 mil torcedores, a média subiu para 50 mil'', contou Cardoso. A capacidade da Fonte Nova será de 50 mil pessoas.
O Maracanã também deverá ter um modelo europeu de gestão. Em recente visita a Portugal, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, conheceu o estádio da Luz, do Benfica, e afirmou que pretende usar o gerenciamento do local como referência para fazer a licitação que definirá o futuro gestor do mítico estádio carioca - o bilionário Eike Batista já admitiu interesse em participar do processo.
A inauguração do estádio da Luz em 2003 é considerada um marco na história do clube português. ''O estádio permitiu que o Benfica revolucionasse suas práticas de gestão para voltar a atingir patamares de excelência dentro do campo'', disse Miguel Bento, diretor de marketing.
Para conseguir pagar o empréstimo de 120 milhões de euros (R$ 288 milhões pela cotação da última sexta-feira), o clube se viu obrigado a adotar uma política financeira que gerasse lucros suficientes para quitar a dívida. ''A forma como vendemos patrocínios, produtos, espaços no estádio e a liturgia para cada uma dessas formas de receitas deixou o Sérgio Cabral bastante satisfeito'', contou Bento.
Ainda segundo o dirigente, o estádio está em constante modernização. No próximo ano, por exemplo, será inaugurado um museu que abrigará mais de 20 mil troféus conquistados pelo Benfica em quase 108 anos de história. ''Queremos nos projetar como um dos pontos turísticos mais importantes de Portugal'', disse.
No Recife, o Consórcio Arena Pernambuco firmou parceira com a AIG, companhia dona do Los Angeles Galaxy e do Los Angeles Lakers, um dos principais times da NBA, e o estádio será a casa do Náutico por 33 anos. Pelo contrato assinado no mês passado, o clube fará apenas o uso do local, sem se preocupar com a gestão. E ainda receberá por isso. ''Vamos levar os jogos para lá com uma garantia de receita mínima. Adotamos esse modelo para não enfrentar problemas como o Botafogo tem sofrido para gerir o Engenhão'', contou o presidente do Conselho Deliberativo do Náutico, André Campos.

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