Estádios da Copa do Mundo de 2014 vão custar cerca de R$ 6 bilhões
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terça-feira, 20 de abril de 2010
Wagner Vilaron<br>Agência Estado 
São Paulo - Só a construção e reforma de estádios para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, vai consumir, aproximadamente, R$ 6 bilhões. A estimativa está baseada em orçamentos oficiais realizados pelos comitês organizadores das 12 cidades que serão sede do evento. No topo da lista está a reforma do Maracanã, que deve consumir R$ 1,4 bilhão. Logo atrás vem a arena de Brasília, avaliada em R$ 740 milhões. Até aqui, os mais contidos nos gastos são os gaúchos: a ampliação da capacidade e adequação do Beira-Rio estão em módicos R$ 60 milhões.
Por se tratar de números oficiais, a expectativa do mercado é de tendência de alta nas projeções. No comparativo com a realidade de investimentos para a Copa da África do Sul, que acontecerá neste ano, o Brasil já comprometeu mais do que o dobro, uma vez que os sul-africanos calcularam em R$ 2,65 bilhões os gastos com estádios.
A presença de valores que facilmente atingem os sete dígitos é apontada como uma das causas do atraso generalizado das obras, uma vez que dependem da liberação de empréstimo por meio de linha de crédito especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Inicialmente, os trabalhos deveriam começar em março. Ao perceber que a data se aproximava e que nada era feito, a Fifa decidiu estender o prazo até 3 de maio. A data mudou, mas o ritmo das reformas permanece inalterado.
A demora provocou manifestação pública do ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, que no final do ano passado mandou recado aos responsáveis. ''O sinal de alerta já foi ligado'', observou. ''Precisamos transformar nossos projetos e discursos em obras.''
Apesar do cenário preocupante que envolve a proximidade do encerramento do segundo prazo e da bronca do ministro, autoridades das cidades-sede mantêm o discurso otimista. A duas semanas da data limite, a maioria garante que vai cumprir a determinação.
Poço sem fundo
A grandeza do Maracanã está refletida também no orçamento das obras para adequá-lo às exigências da Fifa. A primeira projeção de gastos, que já se aproximava de R$ 1 bilhão, aumentou em 40% após as fortes chuvas que castigaram o Rio há duas semanas. Diante das imagens do gramado e dos vestiários inundados, a Fifa solicitou que providências fossem tomadas em relação à drenagem do local.
Morumbi, Arena da Baixada e Beira-Rio passam por problema parecido. Por serem os únicos estádios privados inscritos para a Copa do Mundo, não podem receber dinheiro público, causa do pessimismo da Fifa em relação ao palco são-paulino. No entanto, dirigentes do Atlético-PR e do Inter não parecem muito preocupados.
''Cerca de 80% da Arena já está feita. Não tem reforma, apenas precisamos acrescentar algo em torno de 20% a 25%'', afirmou o presidente do Atlético-PR, Marcos Malucelli. Em Porto Alegre, a cúpula do Internacional calcula que a remodelação da Beira-Rio consuma por volta de R$ 60 milhões, o menor orçamento entre as 12 sedes.
Abertura
Diante dos problemas do Morumbi, ameaçado de nem fazer parte da Copa, Brasília e Belo Horizonte se animam em receber a abertura do evento. Enquanto em Minas o governo concluiu a licitação para a segunda etapa das obras de modernização do Mineirão, no Distrito Federal a situação é mais delicada. A concorrência para a reforma do Mané Garrincha foi suspensa pelo Tribunal de Contas, fato que dificultará o cumprimento do prazo.


