São Paulo - Depois de ser adiada várias vezes, as obras do futuro estádio do Corinthians começaram a sair do papel ontem. Os trabalhos foram iniciados com a terraplanagem do terreno conforme já estava previsto. Antes do começo dos trabalhos, porém, um Pai Nosso foi rezado pelos operários, posicionados em círculo.
As máquinas foram ligadas logo após uma reunião do engenheiro responsável, Frederico Barbosa, gerente operações da empresa Odebrecht, com os operários. Durante o serviço de terraplenagem será feita a remoção dos dutos da Petrobras que atravessam o terreno. A rota será desviada. ''Esse trabalho será feito simultaneamente com a terraplanagem. Vamos preparar o caminho para que os dutos sejam instalados'', explicou.
A partir de julho será feito o trabalho de fundações dos edifícios, que não sofrerá atrasos por conta das chuvas. A construtora espera muita água nos meses de outubro e abril. Essa etapa vai até abril de 2012. Na sequência, começa a montagem das partes pré-moldadas.
A previsão é que o estádio fique pronto em dezembro de 2013, seis meses antes da Copa do Mundo de 2014. A cidade de São Paulo espera abrigar a abertura do Mundial, mas já está fora da Copa das Confederações, segundo a Fifa, exatamente pelos seguidos atrasos na obra. O estádio terá capacidade para 65 mil pessoas.
Orçamento
Para construir o estádio, o Corinthians conta até agora com R$ 400 milhões do empréstimo do BNDES e R$ 240 milhões dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, da Prefeitura de São Paulo.
Para tentar reduzir o preço do Itaquerão, orçado em cerca de R$ 1,064 bilhão, o presidente corintiano Andres Sanchez pediu a ajuda do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva para pressionar a Odebrecht.
Uma das empresas convidadas pelo Corinthians para refazer o orçamento do Itaquerão promete construir o estádio por preço muito inferior à última estimativa apresentada pela Odebrecht.
Em nota enviada à reportagem, a Odebrecht afirma ter fechado com o Corinthians ''um acordo para que o clube consultasse outras construtoras, de modo a dar maior transparência ao processo''.
Há duas semanas, numa reunião que teve participação de representantes de Corinthians, Ministério do Esporte, governo estadual e Prefeitura de São Paulo, a Odebrecht apresentou uma estimativa de custo da arena.
O valor, superior a R$ 1 bilhão, não foi aceito, e os órgãos públicos se recusaram a investir diretamente na obra. O Corinthians, então, passou a atuar em duas frentes para fazer o preço do estádio ''voltar'' a R$ 650 milhões.

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