O Estádio do Café ganhará uma folga de dois meses até que o Londrina estreie na Série D do Campeonato Brasileiro. No entanto, o prazo não é suficiente para que a praça esportiva receba as melhorias que precisa e, principalmente, que o gramado seja substituído. Como ocorre todo ano com a chegada do frio, o campo de jogo já apresenta falhas e ele deve ficar impraticável novamente nos próximos meses, justamente quando o Tubarão vai disputar a competição nacional.
Não bastasse o prejuízo técnico para o time, os problemas do estádio também arranham a imagem de uma das principais cidades do Sul do Brasil. Londrina vem recebendo grandes jogos, com transmissão em rede nacional, e a cada evento, as críticas proliferam país afora. No domingo, não foi diferente. Na vitória por 2 a 0 do Santos sobre o Figueirense, pelo Brasileirão, os problemas ecoaram. As rádios paulistas que transmitiram o jogo mostraram que a grama era ruim e que a iluminação é de "boate". Assim como narrador e comentarista do canal fechado Sportv não pouparam as críticas. Na tentativa de melhorar um pouquinho a imagem, areia pintada de verde foi jogada em falhas do gramado.
O técnico do Santos, Oswaldo de Oliveira, também não poupou reclamações. "Um estádio dessas dimensões merecia primeiro um gramado melhor e depois uma iluminação melhor", protestou.
Questionado sobre a situação, o presidente da Fundação de Esportes de Londrina, Márcio Corrêa, disse que a falta de manutenção ao longo dos anos deixou o local nesta situação. Os problemas se acumularam e o custo ficou alto para colocar tudo em ordem. "Avalio como culpa do desgoverno que Londrina teve nos últimos anos e que está refletindo também no estádio do Café. Londrina passa por isso em todas as áreas, inclusive no estádio do Café. Responsabilidade é nossa, sim, porque estamos lá, mas também de quem não fez lá no passado", disparou.
Construído na década de 70, o Café é grande em dimensões, mas ultrapassado em alguns aspectos. O trabalho da imprensa, por exemplo, é bastante complicado em grandes jogos, já que há poucas cabines e não há espaço específico para imprensa escrita ou de conteúdo digital.
De acordo com Corrêa, seria necessário de 90 a 120 dias para que a troca do gramado fosse feita com 100% de eficiência. No entanto, esse prazo é inviável e para que a troca ocorra, fatalmente o Londrina terá que mandar alguns jogos no VGD ou fora da cidade quando isso ocorrer. "Essa pausa agora não é suficiente para fazer a reforma. Para que seja feito tudo o que é preciso e o gramado fique pronto, vai de 90 a 120 dias. Estamos pensando em o VGD poder receber alguns jogos emergencialmente", afirmou Corrêa. Entretanto, Sérgio Malucelli, gestor do Londrina, já deixou claro que não quer mandar jogos do clube no antigo estádio.
Segundo o presidente da FEL, já há vários orçamentos de grama, mas ele não tem uma estimativa de gastos ainda, por que, segundo ele, a disparidade nos preços é muito grande.
Para cobrir esse custo, Corrêa afirmou que há um estudo para que devedores da Prefeitura banquem essa reforma. "Tem um estudo de uma possibilidade de fazer uma combinação com um dos grandes devedores, pegar esse dinheiro e direcionar para o estádio, para pelo menos arrumar o gramado. Paralelo a isso, temos orçamentos prontos para reforma do gramado, da parte de iluminação e de outras coisas", contou. "A gente quer mais é fazer e gostaríamos inclusive de estar com tudo em cima. Como o Londrina ficou em uma situação ruim por um bom tempo, o estádio ficou abandonado e isso agora está sendo retomando aos poucos", completou.

PLACAR
Corrêa também prometeu a abertura do chamamento público para interessados em patrocinar a instalação de um placar eletrônico no estádio em forma de comodato. Era dessa forma que a Viação Garcia tinha interesse no ano passado quando comprou um equipamento semelhante. Segundo o presidente, o edital está para ser liberado pela Procuradoria do município para publicação. Se der deserto, será aberta licitação para compra do equipamento de acordo com o presidente da FEL.

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