Assistir a uma partida de futebol pode parecer uma tarefa simples. Mas nem sempre é assim. Muitos aproveitam para tirar dinheiro dos torcedores.
Já na chegada, inúmeros guardadores de carros lutam por mais um cliente. Na hora de cobrar, vale a ‘‘cara’’ do freguês. ‘‘Varia. Vai de R$ 1,00 a R$ 3,00. A gente pede, mas tem gente que não paga de jeito nenhum’’, diz o guardador Edgar ‘‘Palmeirense’’, que sempre está presente em jogos no Estádio do Café. Edgar, que chega a ganhar até R$ 30,00 num jogo, diz que garante a segurança do veículo. ‘‘Ninguém mexe!’’, diz ele.
Mas o preço irrita os torcedores. ‘‘Pagar R$ 3,00 para deixar o carro na rua é demais. E, quando voltamos, o moleque nem está mais ali. Mas fazer o quê? Não há outro jeito’’, reclamava ontem o grupo de amigos Marcos Ridão, Paulo Ricardo, Claudemir Feijó e João Carlos. Cada um deles chega a gastar R$ 10,00 em um jogo. ‘‘Não dá para vir aqui e ficar no ‘seco’. Gasto R$ 5,00 só com a minha filha. Mas vale a pena’’, justificou Ridão, junto com a filha Vivian, de 6 anos.
Depois de ‘‘brigar’’ para estacionar o carro, começa a oferta dos ambulantes. A maioria dos produtos tem preço único: R$ 1,00. Cerveja, refrigerante, churrasquinho, cachorro-quente, x-salada, etc. Há também as promoções: 2 maçãs do amor por R$ 1,00 ou três pacotinhos de batata frita pelo mesmo preço. Logo na entrada, já tem gente gastando. ‘‘Eu venho para me divertir, vale tudo. Chego a gastar até R$ 20,00 se o jogo estiver bom’’, disse Marcos Masterline, o ‘‘Maluco’’, que gastou R$ 2,00 na compra de um espeto e uma latinha de cerveja, que ele escondeu no calção para entrar no estádio.
Paulo WolfgangÔ, simpatia!Edgar ‘Palmeirense’, guardador de carros: pela cara do freguêsLá dentro, a tentação continua. ‘‘Já gastei R$ 10,00, mas acho que vai mais’’, dizia Claudemir Parra junto com o filho Rafael na saída da lanchonete. Junto da torcida, um jogador chamava a atenção da torcida. Era o londrinense Wagner, que joga atualmente no Vasco. ‘‘É a primeira vez que vejo o Londrina jogar. Acho que é time para subir. Estou sofrendo aqui. Ser torcedor é mais difícil’’, comentava o atleta.
Outros não chegam a gastar. É o caso de Alisson Gonzaga Melo, de 18 anos, há cinco meses desempregado, que, para economizar, ficou junto com outras 50 pessoas esperando os portões serem abertos no início do segundo tempo: ‘‘Estou mais duro do que pão velho.’’Paulo WolfgangVale tudoMarcos ‘Maluco’, torcedor: despesas de R$ 20,00 em jogo bomMauricio Della Barba

mockup