Roberto Fernandes, o jovem técnico do Londrina, vive dias de tranquilidade que seu antecessor, Ivair Cenci, sequer imaginou no cargo. Nem a derrota em Cianorte abalou sua imagem. Há 18 dias da estréia na Série B do Campeonato Brasileiro, pensa muito à frente. Ele terá um tempo razoável para moldar sua equipe tática e psicologicamente para a longa competição. O ex-jogador da seleção pernambucana de futebol de praia aposta em sua própria ambição e de seus comandados para tentar um feito histórico: levar o Londrina à elite do futebol nacional.
Folha: As cobranças no Londrina são diferentes de outros clubes?
Roberto Fernandes: Toda equipe grande tem cobrança. Mas o Londrina é especial, todos os treinadores que passaram por aqui dizem isso. É uma cidade com jornais, rádios e TVs atuantes, que em um Brasileiro concentra toda a cobertura em um único clube. Desde o início sabíamos disso. No Paranaense, por exemplo, teve uma cobrança muito grande e de maneira precipitada. Cobra-se resultado muito rápido e não se leva em consideração o que é investido, o que é esperado.
Folha: Na Série B, duas equipes subirão e outras duas cairão. No bloco intermediário, haverá a disputa por vagas na Copa do Brasil, coisa que o LEC já conquistou no Estadual. Seu time não corre o risco de não ter um objetivo durante o campeonato, em caso de uma campanha mediana?
Fernandes: Não só o Londrina. A tendência é que a maioria dos times caia no marasmo. Mas nosso objetivo é terminar entre os oito melhores, para garantir classificação em caso de mudança de regulamento durante a competição. Somos realistas. Esta equipe não foi formada para subir e nem este é o objetivo. Mas é claro que estamos sonhando na ascensão para a Série A.
Folha: Comparado com o ano passado, a diferença de investimento do Londrina para os favoritos foi reduzido ou ampliado?
Fernandes: O Londrina tem que apostar na união, na disposição, na força da torcida. Em termos de investimentos, ainda estamos muito distantes, eu diria, das 10 equipes mais fortes. Estamos apenas em um bloco intermediário. Nós apostamos na nossa ambição e na ambição dos jogadores. Ambição sadia, é claro.
Folha: Como você avalia a estrutura do Londrina?
Fernandes: Muito boa. É um clube que paga em dia e isso é muito importante. Falta apenas um centro de treinamento, que já tem projeto. Um CT é o primeiro passo para a grandeza. Além disso, mais um patrocinador seria muito importante e tenho certeza que a diretoria está correndo atrás disso.
Folha: Em algum momento fosse teve receio de não permanecer para o Brasileiro?
Fernandes: O Londrina é tão noticiado, há uma carência tão grande por resultados, que as vezes isto interfere no planejamento do trabalho. Veja este exemplo do jogo em Cianorte, que já existiu uma cobrança por resultado. O jogo era apenas para observação. É por isso que muitas vezes me isolo, não ouço rádio, não assisto TV, não leio jornal. Não posso trabalhar com emoção. Tenho que trabalhar com a razão. Quando alguns dirigentes ventilaram nossa saída, eles usaram apenas a emoção. Temos que enfrentar esta cultura nacional de culpar o técnico por tudo. Algumas experiências comprovam: dar tempo ao treinador é importante para se colher bons resultados.
Folha: O nível que o time atingiu no Paranaense terá que ser melhorado para o Brasileiro?
Fernandes: O Brasileiro é muito mais difícil. Mantivemos uma base e ela correspondeu. Mas haverá mudanças porque as contratações qualificaram o elenco. Talvez na estréia poderemos ter alterações em três posições.
Folha: Quais são seus favoritos para a Série B?
Fernandes: Palmeiras, Sport, Gama e Marília. Mas pelo menos 10 times vão brigar pelo título.

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