Esta é a temporada da minha vida pela seleção
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sábado, 19 de junho de 2004
Agência Estado 
Campo Grande - O atacante Giovane, 34 anos e 1m96, deixou a quadra, sexta-feira, após o treino no Ginásio Guanandizão de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com uma bolsa de gelo presa ao joelho esquerdo. ''É velhice mesmo'', disse. ''Enquanto as dores permitirem'' vai jogar vôlei transferiu-se para a Unisul. ''Mas essa é a temporada da minha vida pela seleção'', explicou. Giovane acha que o Brasil tem um time tão competitivo ''que pode sonhar com a medalha de ouro'', o que, para ele, significaria o bicampeonato olímpico. Na história da participação brasileira em Olimpíada, apenas Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo, ganhou dois ouros.
''Quero que seja a melhor temporada possível. É a minha última oportunidade de disputar uma Olimpíada com um time competitivo, como em 1992.'' Giovane não compara essa seleção com a que foi campeã nos Jogos de Barcelona. ''São diferentes'', observa. Mas acha que a similaridade está na preparação. ''Feita de uma forma certinha, com qualidade''.
Na sua opinião, as cobranças, após o sucesso internacional do vôlei brasileiro, não atrapalham. ''O Brasil já se acostumou a ser um dos favoritos. É boa a cobrança. Mantém o time atento''.
Giovane, que chegou a seleção em 1988, e se afastou do vôlei de quadra para jogar na praia entre 1997 e 1999, também esteve nas campanhas olímpicas do Brasil em Atlanta e Sydney (1996 e 2000). ''As coisas não funcionaram bem''.
Problemas de relacionamento, entre jogadores, principalmente, em 1996, e o desgaste do grupo com o técnico Radamés Latari, em 2000, atrapalharam. ''Esse grupo que vai à Atenas é bom. Eu tenho 34 anos, é cada vez mais difícil jogar no alto nível, mas estou com a cabeça pronta'', garantiu.
De cabelos longos, assim como Giba e Ricardinho, disse que vai ao barbeiro amanhã. ''Cabelos longos eram moda no vôlei, não é mais''.
Contra Portugal, hoje, às 10 horas (com transmissão ao vivo da Rede Globo), pela Liga Mundial, disse que não está preocupado com o adversário, mas com o Brasil. ''Em São Paulo, na segunda rodada, fazia nove meses que a seleção não jogava no País, ficamos desfocados com a festa, o ginásio enfeitado, a torcida... Houve uma queda de rendimento, no sábado. O impacto de jogar no País já passou e, agora, espero um crescimento da seleção'', observou.


