Curitiba - Espanhóis, descendentes e simpatizantes da Fúria, ou simplesmente torcedores avessos ao holandeses que desclassificaram o Brasil, reuniram-se em um bar na Capital para ver o jogo, claro, com muita sangria e paella. E foi sofrido, já que o gol não saía e a vitória só veio nos minutos finais da prorrogação.
No começo todos estavam confiantes na vitória, após a boa performance da Espanha na semifinal contra a Alemanha. ''Não tem mais essa coisa de 'jogamos como nunca e perdemos como sempre'. A Espanha tem outra mentalidade, ainda mais depois do jeito que ganhamos da Alemanha'', celebrava ainda durante a partida o madrilenho Enrique Barragan, estudante de 18 anos que divide os meses entre o Brasil e a Espanha.
A Fúria também ganhou um reforço extra de quem era solidário ao primeiro título espanhol. ''Ah, o Brasil já ganhou muitas vezes e a Espanha nunca chegou em uma final. Dessa vez eles vão ganhar'', apostava, no intervalo da partida, a corretora de imóveis Sarita Pilone, de 30 anos, que morou na Espanha durante um ano e torcia com a mesma intensidade que pela seleção brasileira.
A confiança, no entanto, aos poucos, foi dando lugar à aflição. Além de boas oportunidades perdidas pela Holanda, muitos tentavam disfarçar o incômodo pelo fato da Espanha ter o controle da partida mas não conseguir converter as chances em gol, a exemplo do que aconteceu em partidas anteriores desta Copa e de outros mundiais. A sensação de que o título estava mais perto só veio quando a Holanda ficou com um homem a menos em campo após a expulsão de Heitinga.
E eis que quando muitos já se preparavam para a disputa de pênaltis, Iniesta finalmente fez a torcida soltar o grito de gol em uma final de Copa do Mundo. ''Esse grito estava entalado na garganta desde 1982, quando achávamos que a Espanha ganharia a Copa do Mundo em Barcelona'', foram as palavras emocionadas de Simone Castella, de 37 anos, que nasceu em Barcelona e mora há 30 anos no Brasil.
Simone, que gritou bastante e sofreu durante os mais de 120 minutos de partida, pôde finalmente comemorar ao lado da filha, que também festejou o título como se fosse do Brasil. ''Esse time mereceu porque além de ser muito técnico é também muito unido. Eles foram humildes desde o começo da Copa e por isso fomos campeões'', celebrou a torcedora.

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