Esquenta clima entre Gilberto Pereira e Peter
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A boa vitória do Londrina sobre o São José serviu para dar um pouco de tranquilidade para a equipe na busca pela classificação à terceira fase da Série D do Campeonato Brasileiro. Porém, não serviu para acalmar o técnico Gilberto Pereira, que anda na bronca com o presidente Peter Robson Silva. O motivo já não é novidade para ninguém: a falta de pagamentos dos salários dele e dos atletas. Os dois teriam discutido no Estádio do Café após o jogo e o treinador chegou a entregar o cargo.
Gilberto havia feito apenas uma exigência para assumir o clube. Queria que os salários fossem pagos religiosamente. A promessa, porém, não foi cumprida e o treinador, que assumiu no dia 5 de maio, até agora recebeu apenas 30% do dinheiro referente ao primeiro mês de trabalho e mais nada.
Os salários dos jogadores estão atrasados em sete dias. Os vencimentos do mês passado foram pagos ontem, com o dinheiro da renda do jogo contra o São José - R$ 59 mil, sem descontar as despesas do jogo. O pagamento, aliás foi um dos motivos do entrevero após o jogo. Peter queria usar parte do dinheiro para quitar dívidas com outros credores do clube, gente que emprestou dinheiro para cobrir despesas do dia a dia.
Não é de hoje que o treinador está cansado de ouvir desculpas da direção do clube. A situação criada após a vitória sobre o São José teria sido a gota d'água. Sem ouvir uma resposta convincente, ele teria dito ao patrão que deixaria o time após o jogo em Porto Alegre, classificado ou não.
Pereira estava no Rio de Janeiro ontem para acompanhar o julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pela expulsão no jogo contra o Ypiranga, no Estádio do Café - a sessão não havia terminado até o fechamento da edição. Ele evitou polemizar sobre a discussão com Peter, presenciada por outros membros da diretoria do clube. Mas confirmou que está chateado com a situação, insatisfeito com a falta de satisfações e que pensou em deixar o clube mesmo se a classificação vier no sábado. ''Recebi apenas 30% do mês de maio'', limitou-se a confirmar.
Por meio da assessoria de imprensa do clube, o cartola afirmou que houve uma reunião após o jogo entre os dois e o diretor de futebol, Adriano Coelho, mas que não houve desentendimento, muito menos que o técnico Gilberto Pereira teria colocado o cargo à disposição. O dirigente disse ainda que pode ter havido alguma discordância de algum dos lados.
Ele não é o único no clube que está com meses de atrasos salariais. Nas categorias de base a situação é semelhante. O coordenador Udélton Prates não recebe desde maio. Membros das comissões técnicas também, assim como os jogadores também estão há meses sem receber. Pela Lei Pelé, em seu artigo 31, o atraso de salário do atleta por período igual ou superior a três meses constitui um dos motivos para a rescisão do vínculo, assim como o atraso no recolhimento do FGTS. Desta forma, os garotos do Londrina poderiam deixar o clube sem a necessidade do pagamento da multa rescisória.
Coincidentemente, o grupo liderado pelo ex-atacante Bismarck e pelo rapper Gabriel O Pensador estariam negociando com oito jogadores da base alviceleste. O zagueiro Victor, os alas Negretti e Magno e o meia Gabriel, conforme a Folha antecipou ontem, iriam para o Cruzeiro através de uma parceria. De acordo com uma funcionário do clube que não quis se identificar, os outros quatro seriam o atacante Ramon Vaz, o zagueiro Fabrício e os alas Gustavo Cambé e Edmar. O destino deles seria o Juventude. A Folha não conseguiu falar com Marquinhos, representante dos investidores cariocas. Ele está na cidade desde sexta-feira. Ainda esta semana deve haver uma reunião no Rio de Janeiro.


