Curitiba - A polícia do Paraná suspeita que o suposto esquema armado pelo ex-presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Rolim de Moura - preso na última terça-feira -, para desviar dinheiro da entidade tinha um braço que negociava até mesmo o acesso de times de séries inferiores para as superiores, com a compra de resultados. O caso sob suspeição é o do Galo Maringá, que subiu da Segunda para a Primeira Divisão em 2005. Atualmente, o clube uniu-se com a Adap, que era de Campo Mourão, e criou o Adap Galo.
''Há depósito de quantia significativa do clube de Maringá que não tem justificativa e não há contabilidade para esse depósito'', disse o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari. ''Há alguns indícios de que isso teria sido em decorrência da ascensão desse time da Segunda para a Primeira Divisão do Paranaense. As suspeitas são sérias e muito fortes de manipulação de resultados.''
Documentos apreendidos na sede e na loja do clube, em Maringá, foram levados para Curitiba, onde serão analisados. Enquanto isso, o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) afirma ter provas de que foram depositados R$ 200 mil. O dinheiro teria sido colocado em uma conta do Colégio Técnico de Futebol do Pinheirão, que se tornou uma empresa à parte. Segundo o delegado do Nurce, Sérgio Sirino, essa empresa foi criada ''única e exclusivamente para burlar o sistema judiciário que captava direto na conta corrente da Federação para pagar impostos previdenciários, impostos fiscais e dívidas trabalhistas''.
Criado em 2004, o Colégio Técnico de Futebol do Pinheirão teria recebido cerca de 30 jovens, mas o volume de recursos na sua conta chegou a quase R$ 3 milhões.
Em uma nota distribuída na terça-feira, quando a polícia recolheu documentos no clube, a Adap Galo disse que fez um único depósito, em maio de 2006, na conta do Colégio Técnico, por ela ter sido indicada pela FPF. Segundo a nota, os valores referem-se a ''uma antecipação parcial das despesas e taxas de borderô da Federação Paranaense de Futebol e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da partida entre Paraná Clube e Corinthians, realizada no dia 14 de maio de 2006, no Estádio Willie Davids, em Maringá''.
A assessoria do clube disse que, além desse, houve mais três jogos na cidade, mas não soube informar se o dinheiro foi depositado na conta normal da FPF.
Delazari determinou que o Nurce peça os inquéritos de dois casos investigados pela polícia, Ministério Público e Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) em 2005, em que também havia denúncias de manipulação de resultados e na escala de arbitragem do futebol paranaense.
Em um daqueles inquéritos, que não teve prosseguimento, houve a denúncia de que o então presidente da FPF, Onaireves Moura, teria vendido, por R$ 50 mil, o resultado de uma partida para o Ponta Grossa num jogo contra o Prudentópolis, no Campeonato Paranaense de 2000. ''O Nurce está avocando esse inquérito'', explicou Delazari.

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