São Paulo - Nos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil, por ser país-sede, terá representantes em todas as modalidades. Isso está mexendo com o planejamento de alguns esportes, que tentam buscar atletas em outras modalidades para suprir carências ou melhorar o nível técnico. É o caso do rúgbi, luta olímpica e saltos ornamentais. Com a chegada desses talentos, as modalidades podem dar um salto de qualidade pois assim os atletas já estariam "mais preparados" para se desenvolverem em apenas um ciclo olímpico.
No rúgbi, por exemplo, o processo começou dentro da confederação "Não vi nenhuma outra modalidade fazendo o que a gente chama de identificação de talentos, pois estamos buscando atletas de elite de outros esportes para adaptá-los ao rúgbi. E não porque não existe uma seleção, pelo contrário. A feminina está entre as dez melhores do mundo e a masculina entre as 30. Só que está faltando o velocista e não queremos buscar estrangeiro para dar cidadania. Acho que no prazo de um ano já veremos resultados", disse Sami Arap, presidente da entidade.
Aos 26 anos, Cleiton Dias Sabino trocou o atletismo (penta e decatleta) e foi para o rúgbi. No feminino, Daniela Marçal Teixeira, de 18 anos, saiu do salto com vara e já está integrada ao Bandeirantes Rugby Clube. Lariane Bruner (22 anos) veio do jiu-jítsu e atua pelo Desterro e Mariana Mendes (18 anos) trocou o boxe pelo rúgbi do São José. Todos eles já treinam com a seleção brasileira e sonham em disputar os Jogos do Rio de Janeiro.
Em Brasília, o técnico Ricardo Moreira optou por trazer atletas da ginástica para reforçar a equipe de saltos ornamentais no Mackenzie. "A quantidade de atletas que a gente tem é muito pequena. A base da ginástica é muito boa, mas o treinamento é mais desgastante. Em saltos, o impacto é na água, então a chance de lesão é menor. É muito comum ocorrer essa mudança em outras partes do mundo, mas no Brasil o pessoal não se ateve a isso. Como somos persistentes, vamos levar o projeto adiante", disse.
Luiza de Carvalho Brasiel, de 17 anos, e Anna Lúcia Rodrigues, de 11, trocaram a ginástica pela nova modalidade. Elas fazem parte da equipe de Ricardo Moreira e sonham em disputar os Jogos de 2016. "Apesar de estar muito perto, pois três anos é pouca coisa, vou me esforçar para ir", avisou Luiza. "Meu sonho é participar de uma Olimpíada, não sei dá para 2016, vamos ver", complementou Anna Lúcia.

Expectativa
Na luta olímpica, o objetivo maior da confederação é atrair atletas do judô. Como em cada categoria de peso só o melhor brasileiro garante vaga, a ideia é usar lutadores que não terão chance de representar o País no judô, mas que possuem grande potencial. Segundo Elísio Cardoso Macambira, vice-presidente da entidade, já existem casos de sucesso como o de Aline Ferreira e Guilherme Evangelista, ouro nos Jogos Sul-Americanos da Juventude. "As portas estão abertas. No Brasil se desperdiça muitos bons atletas do judô, que poderiam ser campeões na luta olímpica. Se eles vierem, daremos um grande avanço. Acho que em um ciclo olímpico poderemos ter um campeão", concluiu Elísio, esperançoso.

mockup