Esporte x Depressão
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de novembro de 2011
João Fortes <br> Reportagem Local 
Há cerca de quatro anos, quando Silvia de Laroza Beraldi descobriu que tinha depressão a ideia de praticar esportes mal passava pela sua mente. Sua vida resumia-se a ficar em casa, com o mínimo de contato com o mundo externo e uma tristeza profunda, sem explicação. Outras patologias como a bulimia e pressão alta tornavam as coisas ainda mais difíceis e era tomando muitos medicamentos que ela passava seus dias. ''Meu mundo era muito escuro. Eu não tinha vontade de viver, nem de sair da cama. Cheguei a tomar mais de trinta comprimidos por dia, para depressão, ansiedade, pressão alta, bulimia e até inibidor de apetite'', relata Silvia.
Mal sabia ela que a vida estava prestes a sofrer uma grande virada. A ex-promotora de eventos acabara de receber uma proposta do médico para fazer um tratamento em uma clínica, como forma até de se desentoxicar de tantos remédios. Foi quando a irmã dela entrou em contato com uma amiga que entende tudo sobre superação: a atleta Adeluci de Moraes, campeã de diversas ultramaratonas. Adeluci logo se prontificou a convencer Silvia a trocar tantos remédios por uma corrida ou caminhada diária. ''Eu falei para ela: 'Você só tem que me dar um dia''', conta Adeluci.
Silvia aceitou o desafio, mas fez algumas exigências. ''Eu aceitei desde que ela me buscasse, pois eu não dirigia mais, que fosse às 5h horas da manhã e em um lugar com o mínimo de gente possível'', relata Silvia. Feita a negociação as duas foram para o Jardim Botânico de Londrina e correram menos do que 500 metros. As distância foram aumentando aos poucos e rapidamente Silvia sentiu que poderia ser feliz novamente. ''Com um mês eu senti que minha vida ia ser outra'', afirma.
Cerca de três anos se passaram e a vida de Silva realmente é outra. Além de correr, ela também pedala, inclusive no Lago Igapó que tem uma grande circulação de pessoas. ''Eu descobri o caminho da felicidade correndo'', avalia. Silvia também conseguiu reduzir drasticamente o consumo de medicamentos. ''Tomo apenas um remédio para pressão alta e outro para ansiedade''.
A superação física, de correr e pedalar cada vez mais foi um dos elementos que motivaram Silvia para que o esporte estivesse ainda mais presente em sua vida. Recentemente, ela chegou até a correr a Maratona de Londrina, algo impensável até alguns anos atrás. ''Nunca havia me passado pela cabeça calçar um tênis para correr. Na maratona de Londrina eu não consegui completar a prova inteira, mas só de ter participado já foi muito bom''.
A presença de Adeluci durante o processo também foi fundamental, não apenas pelos trabalho de treinamento que ela desenvolveu, mas também pelo exemplo profissional da ultramaratonista e a motivação que a atleta passou para Silvia. ''Eu sempre fui muito disciplinada, mas houve dias em que ela precisou me convencer a sair de casa. Além de me incentivar, me deu força para pensar que não estava tudo perdido'', conta a ex-promotora de eventos.
''É mais do que gratificante. Elas se superam e eu também me supero como profissional'', declara Adeluci, que já treinou outras mulheres diagnosticadas com depressão. ''Não é fácil, pois o trabalho deve ser feito de uma maneira que não desmotive a pessoa, sem ser muito cansativo. Eu costumo contar todas as minhas histórias de superação e fotografo os treinos para que elas possam acompanhar a evolução'', encerra.


