Esporte roubava público do futebol
A partir da consagração do futebol de salão como um esporte de massa em Londrina, os clubes passaram a se interessar pela modalidade, que já até 'roubava' o público do futebol de campo.
A boa organização dos campeonatos elevou o futebol de salão de Londrina a um nível quase profissional, o que culminou, em 1977, na construção do Palácio do Futsal, o primeiro ginásio do Brasil dedicado a uma liga de esportes.
''Foi um esforço conjunto que garantiu a construção do Palácio do Futsal. Tínhamos o apoio da comunidade, o interesse da imprensa através de Isnard Cordeiro e Flávio Campos, a boa gestão de José Rossi e Ilso Bussadori, fundadores da Liga Futsal de Londrina e até o apoio de arquitetos, como Léo Barroso, José Maria Brito e Basílio Pepiliasco, que contribuíram sem cobrar'', lembra José Pívaro, pai do piloto de Fórmula Truck, Ernesto 'Gardenal' Pívaro, e que também presidiu a liga futsal.
Mas o chamado 'período romântico' do futebol de salão começava a perder força. Os clubes, bastante frequentados na época, passaram a investir mais, oferecendo títulos de sócio-atleta e as empresas já não sentiam mais seduzidas pelo futebol de salão. Além disso, a então grande rivalidade entre Monções e Cacique enfraqueceu.
''Até 81 tínhamos o carinho da torcida e os jogos reuniam todas as classes, desde a elite até os mais pobres. Mas depois os times já não traziam resultados, porque as equipes das outras cidades também evoluíram e o público começou a perder o interesse'', afirma o ex-jogador Milton Sciappina, hoje médico em Londrina.
Com o crescimento da cidade as comunidades já não se reuniam facilmente e até mesmo a mudança de regras passou a exigir times de jogadores e diretoria com recursos físicos e técnicos profissionais.
''Além disso, os organizadores não eram mais os mesmos. Muitos dirigentes não tinham nada a ver com futebol de salão e só queriam saber de dinheiro'', dispara Pívaro. Com o fim da fase romântica do futebol de salão, os craques começaram a pendurar as chuteiras e clubes como Canadá, Londrina Country, Grêmio Londrinense e Iate passaram a montar equipes de mais pretensões. ''Foi o fim de uma fase romântica e o começo de uma época profissional e também importante'', diz Flávio Campos.
E, para aqueles que viveram aquele período, tudo ainda permanece muito fresco na memória. As jogadas de habilidade, os confrontos e a sensação de ser ídolo do futebol, mesmo em times amadores de uma cidade ainda sem grande expressão na região, são motivos de orgulho até hoje. ''Ainda temos contato com a maioria dos jogadores, até mesmo os rivais'', afirma Mineiro. ''A gente se reúne semanalmente para relembrar os bons e velhos tempos. Foi realmente uma época que marcou a cidade'', completa Sciappina. (C.Y.)





