Esporte precisa respeitar fases de crescimento da criança
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sábado, 10 de abril de 2010
Rafael Souza<br> Especial para a Folha 
O esporte se faz cada vez mais presente na vida das crianças. Seja para ocupar a vida dos filhos enquanto os pais trabalham, seja para manter os jovens em um ambiente saudável e longe das drogas ou ainda para iniciar a criança em uma atividade física. Mas na hora de começar, muitos pais ainda se perguntam qual a idade certa, qual a melhor modalidade para o meu filho?
Fato é que o esporte tem que funcionar como um fator motivador. É ele que vai estimular a criança nas primeiras atividades de qualquer ser humano, como correr, pular, subir, rolar e engatinhar. Mas há de se respeitar também as fases de crescimento.
O ortopedista e especialista em medicina esportiva Rodrigo Serikawa explica que não há uma idade certa ou ideal para começar a praticar esportes. Segundo ele, é importante apenas que seja bem orientado e siga um programa adequado às necessidades de cada criança.
''O esporte é o estímulo do corpo, da cabeça, e isso acontece desde cedo. Não há uma idade certa. É aí que entram os pais, que precisam incentivar a criança, mas nunca forçar também, porque isso pode gerar um desgosto pelo esporte'', ensina o médico.
Wilton Santana, professor da disciplina de Métodos de Ensino-Aprendizagem dos Esportes, do curso de esportes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), observa outros pontos que devem ser levados em conta na iniciação esportiva das crianças. ''A competição deve ser encarada como um aliado do desenvolvimento infantil e não como um fim em si mesma. Por exemplo, é um equívoco tremendo inscrever crianças na faixa etária dos 6 aos 10, 11 anos em competições exigentes, porque o tipo de treinamento tende a ser cada vez mais especializado'', avisa o professor.
Respeitados os limites e a vontade da criança, os benefícios podem ser incontáveis e vão desde o desenvolvimento da coordenação motora e equilíbrio até a socialização, com o trabalho em equipe, as amizades, valores que segundo os especialistas, podem ser mais importantes que a competitividade.
''Os benefícios do esporte para as crianças vão desde a formação até a saúde física e mental. Os pais devem entender que o mais importante ao iniciar seus filhos na vida esportiva é saber o bem que isso pode fazer à criança, independentemente de vitórias ou troféus'', aponta Serikawa.
Escolher o melhor esporte para o filho também gera muitas dúvidas nos pais. Os especialistas dizem que a melhor maneira é levar em consideração a vontade de quem vai praticá-lo, ou seja, da criança.
''É fundamental que os pais, junto com seus filhos, dediquem o tempo necessário para a escolha não apenas do esporte, mas também de um local adequado e, principalmente, de um profissional de educação física qualificado para contribuir para a boa formação de seus alunos'', justifica Santana.
Ainda que não haja um fator científico determinante na escolha do esporte a ser praticado, alguns estão entre os mais procurados e indicados para o desenvolvimento físico da criança. A natação é um destes, justamente por que pode ser praticada a partir dos 6 meses de vida.
''O ambiente aquático diminui riscos de quedas e machucados, além de dar maior autoconfiança. Trabalhando com outras crianças o fator sociabilidade também será desenvolvido'', conta a professora de natação da escola Dinâmica, Tânia Regina Cunha.
Mas o fator que mais pesa na hora da escolha pela natação ainda é outro: o crescimento e o desenvolvimento da criança. ''Os movimentos e estímulos feitos durante a prática da natação ajudam muito no crescimento e fortalecimento da criança, além de melhorar a respiração, a postura, a resistência. São coisas que a pessoa pode levar para o resto da vida'', comenta.
Toda essa rotina de benefícios da natação já melhorou a vida do pequeno Felipe Nunes, de 6 anos. Ele começou a nadar há quase dois anos, depois que sua mãe descobriu que seu índice de colesterol estava elevado e também por que tinha um pouco de medo de água.
''No começo, ele não queria, mas depois acostumou. Ele perdeu o medo que tinha de água e o colesterol também já normalizou. Agora ele não perde uma aula e sempre fica ansioso para vir'', conta a mãe, Ângela Nunes. ''Gosto de nadar, pois sinto meu corpo saudável'', completou Felipe.


