Rio - Em tom de desabafo, o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino Neto, fez críticas ao Comitê Organizador do Pan e dos Jogos Parapan-Americanos (Co-Rio). Para o dirigente, a entidade não cumpriu com a promessa de incentivar políticas sociais de inserção esportiva e desperdiçou a possibilidade de desenvolver o esporte paraolímpico no País, com a realização da disputa continental, que começa no domingo. ''O CPB, de certa forma, foi deixado de lado na estruturação do Parapan'', afirmou Neto. ''Digo isso sem mágoa, mas com uma enorme tristeza porque deixamos de fazer uma discussão de políticas sociais para os deficientes.''
Uma das principais queixas do presidente do CPB é a de que, para ganhar o direito de ser a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007 na eleição contra a cidade norte-americana de San Antonio, em 2002, o Co-Rio prometeu realizar o Parapan e, em paralelo, promover políticas para impulsionar as modalidades paraolímpicas no País. Só que, com o transcorrer do tempo, as ações não saíram do papel. ''Eles resolveram assumir o Parapan como se fosse um plus e organizar na mesma cidade do Pan, já que San Antonio não oferecia isso em sua candidatura. Foi uma jogada de marketing para o Rio ganhar a sede do Pan'', frisou o presidente do CPB.
Neto reconheceu que a competência para organizar o Parapan pertence ao Co-Rio, mas destacou que o compromisso era o de desenvolver trabalhos em conjunto com o CPB. Ressaltou que, em todo o processo de estruturação dos Jogos, não houve membros do CPB ou do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) nos quadros da entidade carioca.
Apesar da frustração com a organização carioca, o presidente da CPB contou que a relação com o Co-Rio transcorreu sem problemas durante o tempo de preparação ao Parapan. Neto afirmou que em várias ocasiões foi procurado para dirimir dúvidas da entidade, mas em seguida lembrou que todas as suas ofertas com o objetivo de dividir a estruturação dos Jogos foram rechaçadas.
''Eles não nos deram o direito de decidir nada. Houve tentativas de nossa parte, mas fomos meros consultores. Diziam que não podiam por causa de possíveis problemas com a Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana)'', contou o presidente do CPB. ''A sensação que ficou foi a de que eles fizeram o Pan e deram o que sobrou para o Parapan.''
Consultado sobre as considerações feitas pelo presidente do CPB, o Co-Rio optou por não se pronunciar sobre o assunto.
Delegação - A delegação brasileira que vai representar o Brasil nos Jogos Parapan-Americanos do Rio, composta por 349 pessoas, entre elas 231 atletas, chegou ontem Vila Pan-Americana. Os atletas estavam em Resende, no sul do Estado do Rio, onde fez um período de preparação para competição.

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