O microempresário Otávio Gianelli, o Limpa Trilho, 70 anos, vive o futebol. Além de organizar campeonatos na Liga Londrinense, ele não abre mão de bater sua bolinha toda semana e comemorar seus gols plantando bananeira. O administrador de empresas Ludinei Picelli, 66 anos, calça as luvas para fechar o gol do Retiro dos Centuriões toda manhã de domingo. Seo Toshio Aoki, não perde uma partida de park golf com os amigos da colônia japonesa e olha que ele já completou 90 anos. O médico anestesista Sérgio Storti, 64 anos, não vê a hora do domingo chegar para pedalar e foi em cima de uma magrela que ele cruzou parte da Cordilheira dos Andes entre a Argentina e o Chile. Em comum, os quatro têm além da idade já avançada, saúde e disposição de sobra e o mesmo "causador" desta longevidade: a prática esportiva.
Graças à paixão pelo esporte, o quarteto conseguiu envelhecer com qualidade de vida e nem pensa em trocar o suor pelo tradicional baralhinho ou jogo de damas na praça.
Eles fazem parte de uma nova camada da população, a que se preocupa em chegar à terceira idade com espírito e rotina de jovem. A geração dos vovôs esportistas. A partir de hoje, a FOLHA conta a história destes quatro exemplos de longevidade com saúde, em uma série especial.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada no mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e finalizada no ano passado, as pessoas com mais de 60 anos já representam 12,1% da população brasileira, estimada em 195 milhões. Os 23,5 milhões de brasileiros considerados idosos somam mais do que o dobro do registrado em 1991, quando 10,7 milhões de pessoas estavam nesta faixa etária no País.
Essa população, que cresce e que vê a expectativa de vida aumentar, não quer envelhecer com limitações. Por isso, começa a procurar no esporte uma forma de amenizar os efeitos da idade. Um levantamento da Associação Brasileira de Academias (Acad Brasil) mostra que 30% dos frequentadores têm mais de 60 anos - o equivalente a 1,8 milhão de vovôs malhando. Aumento considerável uma vez que dez anos antes o índice não passava dos 5%.
"O esporte é aquela droga boa. Há a necessidade de fazer", resume o geriatra Fábio Garani, que tem em sua relação de pacientes muitos vovôs/atletas.
Ele costuma receitar a prática de esportes a seus pacientes e enumera os motivos. "Gera um bem-estar indescritível, uma longevidade saudável, independente e autônoma. Melhora glicemia, colesterol e pressão alta, o que significa a diminuição muito significativa na medicação. O idoso fica com um convívio social mais intenso e o mais importante: aprende a vencer as barreiras", explica.
Ele conta que essa busca pela atividade física é recente, de 30 anos para cá e que seu consultório sempre recebe novos pacientes com a tradicional pergunta: "doutor, posso praticar esportes?".
"Os homens não se cuidam muito e têm dificuldade em se abrir com o médico, mas as mulheres procuram muito (orientação). O esporte não tem contraindicação. O melhor horário é aquele que vai ser mais prazeroso, evitando, claro, picos de sol e calor", afirmou.
Apesar de incentivar seus pacientes a praticar esportes, ele faz uma ressalva: cada pessoa precisa seguir seu próprio ritmo, de acordo com suas limitações, e fazer um check-up antes de começar. "Se a pessoa foi sedentária a vida toda, não pode virar atleta na velhice, porque pode sofrer uma lesão. A musculação é indicada para quem tem problema de osteoporose, a hidroginástica para quem tem artrite e artrose. Corrida, caminhada, natação melhora capacidade aeróbica e o Pilates mistura de tudo", explicou.

RECOMENDAÇÕES GERAIS
Só fazer exercício quando houver bem-estar físico;
Usar roupas e calçados adequados;
Evitar fumo e uso de sedativos;
Não exercitar-se em jejum;
Usar carboidratos antes dos exercícios;
Respeitar limite pessoal, parando se houver
desconforto ou dor;
Evitar temperaturas extremas e umidades;
Hidratar-se adequadamente antes, durante e depois dos exercícios;
Iniciar a atividade de forma lenta e promover adaptação progressiva.

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