Entre os dias 15 e 19 de dezembro, o time de basquete feminino formado por deficientes intelectuais da região de Londrina participa do Campeonato Brasileiro de Basquetebol para Deficientes Intelectuais, no Guarujá, no litoral paulista O Paraná, que estará representado por duas equipes (ambas treinam em Londrina), jogará ante agremiações de Guaxupé (Minas Gerais), Cubatão e Mauá (São Paulo)
O técnico do time é o professor Edson Luiz Martinussi, que desenvolve junto ao Instituto Londrinense de Educação para Crianças Especiais (Ilece) um trabalho com deficientes e esporte em parceira com as Associações de Pais e Amigos de Excepcionais (Apaes) de seis cidades da região
Recentemente, um grupo formado por deficientes intelectuais de Londrina, Sertanópolis e Cambé representou a Seleção Brasileira de Basquete para Deficientes Intelectuais, em Tondella, Portugal O Comitê Paraolímpico financiou a viagem
Frente as equipes dos Estados Unidos e Austrália, o time fez duas partidas mas perdeu ambas No entanto, o honroso terceiro lugar não é demérito, se considerados os frutos do projeto quanto ao trabalho de socialização que o esporte proporciona
Martinussi conta que através de treinamentos de habilidade e coordenação motora é possível proporcionar benefícios para a saúde das praticantes ''Tive uma atleta que estava com 60 quilos e emagreceu'', exemplifica ele, que treina as meninas nas quintas-feiras e aos sábados
Quem corrobora com os pontos positivos que o esporte traz para os deficientes é a professora Adriana Eik, da Apae de Ibiporã Ela cita o exemplo de um aluno, que antes de se envolver com os treinos do basquete, estava indo mal na escola e entrava aos poucos no vício do tabaco, fumando escondido com os amigos
''Por causa dessa chance de viajar e participar de campeonatos ele voltou a frequentar a escola O menino estava agressivo e não estudava mais Os pais acompanham e depois que perceberam a melhora passaram a incentivar'', comenta Adriana
Disciplina
Para Magda Faria de Souza, professora da Apae de Sertanópolis, o basquete ajudou suas alunas a serem mais disciplinadas ''Esta vivência é muito importante As dificuldades que elas encontram nos jogos se refletem nos problemas cotidianos e isso ensina a enfrentar o dia a dia'', acredita
Magda gosta do exemplo de Adriana Tano, que possui um grau de QI abaixo de 75%, suficiente para ser considerada deficiente intelectual Atualmente ela é funcionária do Ilece e ajuda professores dentro da sala de aula como estagiária ''Tudo isso foi depois que passou a participar do projeto'', ressalta
Para quem pensa que apenas os não-deficientes possuem preconceito, a professora ressalta um detalhe curioso ''Os deficientes possuem preconceito entre eles mesmos'', frisa Ela cita o exemplo de um aluno que não sai na rua com uniforme da Apae ''Ele não quer ser identificado como aluno especial'', justifica
Magda conta que o problema ocorre com menos frequência entre as praticantes do basquete por causa dos intercâmbios e da vivência com o esporte ''Isso ajuda a quebrar o preconceito'', conclui

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