Uma tradição milenar nipônica se repetiu neste final de semana em Londrina e reforçou ainda mais os laços de união entre brasileiros e japoneses surgidos neste um século de amizade. Durante o ''4º Encontro Sul-Brasileiro de Sumô - Torneio da Amizade'', que aconteceu na Associação de Moradores dos Distritos do Esperíto Santo e Aviação Velha, as cores brasileiras e japonesas se juntaram para celebrar uma modalidade de arte marcial oriental pouco difundida no país mas que na cidade já vem fazendo diferença para muita gente há alguns anos.
Sumotori (praticante de sumô) há muitos anos, proprietário do Centro de Estudos de Artes Marciais - Associação Kaiko, organizador do torneio e um dos mais importantes incentivadores da modalidade no Paraná, Cassiano Gomes, conseguiu reunir 120 atletas paranaenses, catarinenses, gaúchos, paulistas e até argentinos para se se enfrentarem nas várias categorias durante o sábado e o domingo. É a quarta vez que ele realiza o encontro sul-brasileiro na cidade e se disse satisfeito com os resultados obtidos, dentro e fora do dohyô (arena onde se realizam as lutas). ''Até cinco anos atrás, não havia praticantes de sumô no Paraná. Hoje, tenho 110 atletas na academia e 60 competindo aqui. E nenhum é descendente de japoneses'', comemorou.
O mais importante desta história de sucesso, entretanto, não pode ser medido somente pelos números. A Associação Kaiko, que comemora este ano 25 anos, tem uma preocupação social que faz toda a diferença. Os alunos são garimpados nas áreas mais carentes e levados para as aulas. ''Temos 187 atletas e 107 não pagam nenhuma mensalidade'', apontou o sumotori, que conta com a parceria da Fundação de Esportes (FEL), Secretaria da Mulher e Aliança Cultural Brasil-Japão.
Um deles é Fabrício Manuel Vieira dos Santos, 20 anos. Sem casa e sem dinheiro para bancar uma academia, o rapaz hoje mora e treina na sede da Associação. ''Pode até ser que eu cresça neste esporte mas o mais importante é que todos são meus amigos, meus companheiros. Treinando ou competindo, estou sempre perto deles, que são pessoas que eu gosto'', disse ele logo após ''perder'' uma luta para um amigo.
Ainda meio desajeitados com a vestimenta tradicional do sumô - mawashi -, Darley Vinícius Rosenthal Monteiro, 11, e Marcelo Lucas, 10, se conheceram durante o final de semana e já viraram amigos por causa do esporte. ''É muito legal. É melhor do que futebol'', garantiu Darley. ''Quero continuar lutando'', completou Marcelo. Ambos começaram a praticar a arte há poucas semanas mas já mostravam intimidades com as expressões e golpes.
Intimidade que o nikkei Cristiano Mori, 21, tem de sobra. Um dos pouquíssimos descendentes participantes, ele veio de Osasco (SP) especialmente para o torneio e voltou para a casa com o troféu de campeão na categoria adulto leve (até 85 kg). ''É mais um exemplo da união das culturas japonesa e brasileira. É uma cultura a mais no esporte'', concluiu.

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